Liceu Nacional de Santarém / Liceu Central de Sá da Bandeira / Liceu Nacional Central de Sá da Bandeira / Liceu Nacional de Santarém / Escola Secundária Sá da Bandeira

IPA.00021204
Portugal, Santarém, Santarém, União de Freguesias da cidade de Santarém
 
Liceu Nacional projetado e construído no início da década de 40, no âmbito do "Programa de construções, ampliações e melhoramentos de edifícios liceais", o designado "Plano de 38". Obedece, grosso modo, ao "Programa Geral para a Elaboração dos Projectos dos Liceus", programa base definido pela Junta das Construções do Ensino Técnico e Secundário (JCETS), no qual são estabelecidas as exigências e as características espaciais que os liceus devem observar, definindo a representação espacial da organização curricular, os diferentes grupos de serviços existentes (administrativos, escolares, especiais, de educação física, comunicações e diversos), e as dependências necessárias para cada um, com referência à sua posição relativa, dimensões e materiais a empregar, iluminação e exposição solar, e acessibilidade. Assim, os edifícios liceu desenvolvem-se em dois ou três pisos, consoante a exigência da topografia do terreno. Em termos programáticos os espaços relativos aos serviços escolares encontram-se divididos em dois grandes grupos (um correspondente ao 1.º ciclo, e outro aos 2.º e 3.º ciclos), qualquer um deles com acesso independente a partir do vestíbulo de entrada, o que define, na maioria dos casos, uma opção por uma planta simétrica centralizada em torno deste vestíbulo, envolvido pelas dependências do serviço administrativo (secretaria, reitoria, direção dos ciclos e instalações sanitárias). Os serviços especiais, comuns aos vários graus de ensino (biblioteca, museus, sala de professores) localizam-se, regra geral, no ponto mais central do piso térreo. A distribuição das salas de aula (regulares e especiais, salas de ciências geográfico-naturais, físico-químicas, de trabalhos manuais e de desenho, e instalações para a Mocidade Portuguesa) é feita sobretudo no primeiro piso (ou nos primeiro e segundo pisos), sempre a partir do átrio de entrada seguindo o corredor lateral de distribuição. Nos topos do imóvel, ou nos pontos de inserção dos corpos com direções perpendiculares, encontram-se as escadas. É exigência do plano de estudos a existência de uma sala de aula por classe, o que faz com que a sala de aula seja a unidade organizadora do espaço, definindo a capacidade do liceu em termos do número de turmas, logo de alunos. Os requisitos apresentados para as salas de aula são: espaço retangular de 6x9 metros, com um pé-direito de 4 metros de altura; iluminação unilateral e segundo a maior dimensão da sala, assegurada por janelas localizadas a 1,20 metros acima do pavimento numa superfície correspondente a 1/5 ou a 1/6 do total do pavimento. As salas de aula regulares e os laboratórios são orientados preferencialmente para S., as salas de desenho e trabalhos manuais e os corredores para N.. O grupo de Educação Física deve assegurar uma igual acessibilidade a todos os grupo, pelo que se encontra, normalmente, numa posição axial em relação ao átrio de entrada, em acesso direto a partir deste, ou no seguimento do corredor, encerrando o circuito interno. Destaca-se da restante composição, quer pela sua volumetria, quer pela diferença na abertura dos vãos de iluminação, onde existe uma maior liberdade do que para as restantes salas. O programa base previa ainda a existência de uma entrada independente para este espaço e o contacto direto com os campos de jogos (exteriores) que o complementam e cuja área deve permitir a realização de atletismo, ginástica ao ar livre e jogos de grupo. A organização do espaço exterior do imóvel, localizado dentro de recinto murado, diferencia as zonas de circulação, as áreas ajardinadas e de recreio e os espaços reservados à prática desportiva. Os edifícios construídos ao abrigo deste programa base apresentam um cariz monumentalista, reforçado por elementos historicistas. A fachada principal é revestida a pedra e rematada com frontões. O edifício do Liceu Sá da Bandeira foi o primeiro a ser construído de acordo com este programa e, muito embora o seu projeto seja anterior à sua publicação, é, talvez, aquele que se afigura mais conforme o estabelecido, não sendo de notar qualquer alteração ao programa base no seu projeto inicial
Número IPA Antigo: PT031416210141
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Escola  Liceu  Tipo Plano 1938

Descrição

Conjunto de planta composta, poligonal, resultante da articulação de vários corpos de dois pisos. O edifício original, orientado a NO., apresenta uma planta modular, em que o bloco principal ostenta a forma de um quadrado, conseguido a partir da articulação de quatro corpos retangulares em torno de um grande pátio interno, a que, pelo exterior, se liga um outro corpo anexo, a SE., o edifício do ginásio/salão de festas e serviços afins, que forma um pequeno "T". Na campanha de obras de 1960-1961 foram construídos mais dois corpos letivos, dois "braços" perpendiculares ao bloco principal do edifício original, paralelos ao ginásio (no sentido N.-E. e S.-E.). É justamente aqui que, na última campanha de obras (2007-2011) se edificaram novos espaços. As coberturas do edifício original são em telhados, maioritariamente de duas águas, podendo, nos corpos de ligação, ser de três ou quatro águas, sendo as dos novos corpos plana. O acesso principal ao imóvel é efetuado a partir da Rua D. Maria Inês Schaller Dias, onde fica o seu portão principal. Dispensada a habitual escadaria que antecede a grande fachada de aparato, a monumentalidade da construção é conseguida pela sobrelevação da construção em relação à envolvente, conseguida pela construção de uma plataforma artificial, e pelo ligeiro recuo da fachada principal, que termina com dois torreões, um de cada lado, mais salientes. Virada a SE., a fachada principal é composta por sete panos de dois pisos, iguais dois a dois a partir do central, numa perfeita simetria. Toda ela é percorrida por um soco de pedra. O pano central é, igualmente, revestido a pedra, centralizado pelo portal principal, antecedido por dois degraus de pedra e ladeado por meias colunas lisas retangulares, encimadas por dois pináculos piramidais. Sobre o portal e a toda a sua largura encontra-se um janelão retangular, retilíneo. Os dois panos seguintes, iguais de ambos os lados, são rasgados por cinco janelas quadrangulares, retilíneas, com parapeitos de alvenaria simples, no final fazem ângulo (a N. e a E.) com a face interna dos torreões, que apresentam cada um uma parede cega. A fachada NE. dos torreões é rasgada por um grupo de três janelas retangulares retilíneas com parapeito de alvenaria simples em cada piso. À fachada NE. do corpo principal pertencem ainda os dois panos de fachada que se encontram a seguir aos torreões e com cujas paredes externas fazem ângulo. Quer a face externa dos torreões quer os panos de fachada seguintes são cegas. A fachada esquerda deste corpo principal é igual à fachada direita, embora em espelho (a esquerda desenvolve-se de N. para SE. e a direita de SO. para N.). É composta por sete panos de dois pisos, percorridos por soco de pedra. O primeiro, corresponde à fachada lateral da estrutura de apoio ao ginásio e antigo refeitório, mais saliente do que o corpo do ginásio, que se lhe segue, é rasgado por três janelas retangulares retilíneas com parapeito simples de alvenaria em cada piso, a sua parede N., que faz ângulo com a fachada esquerda do ginásio, apresenta um pano rasgado por duas janelas quadrangulares retilíneas com parapeito simples de alvenaria em cada piso. A fachada esquerda do ginásio, mais recuada, mostra três panos. Um central, o mais comprido, rasgado por seis janelões retangulares, retilíneos, com parapeito de alvenaria simples, ladeados externamente por uma janela quadrangular, retilínea, com parapeito de alvenaria simples. Os dois laterais, idênticos, correspondem a espaços de circulação vertical com caixa de escadas, marcados exteriormente pela existência de janelões com duplo pé-direito. O último pano do corpo do ginásio faz ângulo com a parede tardoz do corpo principal, aberto sobre colunas no primeiro piso e rasgado por dois grupos de três janelas retangulares retilíneas com parapeito de alvenaria simples no segundo piso. Faz ângulo com o "braço" criado aquando da ampliação do liceu. Os panos de fachada deste braço são semelhantes aos restantes panos de fachada dos blocos letivos (corpo principal do imóvel), ritmados pela existência de grupos de três janelas quadrangulares retilíneas com parapeito de alvenaria simples em cada piso. Neste caso serão três grupos, a que se segue mais um no topo do bloco NE.-SO. que fecha o quadrado do corpo principal. O corpo principal apresenta uma fachada mais recuada, com três panos, sendo o central marcado por cinco grupos de três janelas quadrangulares retilíneas com parapeito de alvenaria simples em cada piso, e os laterais por grandes janelões, de duplo pé-direito que indiciam a existência de espaços de circulação vertical com caixas de escada, faz ângulo com o corpo da fachada principal, mais saliente, apresentando um pano rasgado por um grupo de três janelas quadrangulares retilíneas com parapeito de alvenaria simples em cada piso. Segue-se a fachada tardoz do imóvel, correspondente ao corpo anexo ao ginásio/salão de festas e refeitório originais. Desenvolvida no sentido E.-S., apresenta cinco panos de fachada, de dois pisos cada, percorridos por soco de alvenaria e separados por cunhais. O primeiro e o último com paredes cegas, o segundo e o quarto denotam a existência de espaços de circulação vertical com caixas de escada, marcados exteriormente por portas simples de acesso direto ao interior do imóvel, encimadas por grandes janelões de duplo pé-direito, o central é rasgado por três grandes janelas retangulares retilíneas em cada piso. A fachada lateral direita é idêntica à esquerda, já descrita. INTERIOR: o acesso ao interior é feito pelo portal que se encontra no centro da fachada NO., no corpo principal do imóvel, ultrapassado o qual se encontra o átrio, elemento centralizador de toda a organização interna do imóvel, dele partem os corredores de circulação interna que permitem a ligação aos diversos espaços e, passando o guarda-vento, o acesso ao pátio interno. As escadas de acesso ao segundo piso encontram-se nos topos desta ala central e nas áreas de interceção dos vários corpos. Em torno do átrio, prolongando-se por toda a ala central deste corpo principal, encontravam-se, os serviços médicos, os serviços administrativos (secretaria, arquivo, salas de diretores de ciclo/turma) e os vestiários. Sobre o átrio e ao longo desta ala central, no segundo piso, ficava localizada parte dos serviços especiais, mais propriamente, a biblioteca, o museu e as salas de Lavoures, da Mocidade Portuguesa, e de Trabalhos Manuais. No corpo paralelo a este corpo central encontrava-se o recreio coberto no primeiro piso e, so segundo, os laboratórios das Ciências Naturais e Físico-Químicas e as salas de Desenho. Os dois blocos perpendiculares, acrescido pelos braços que os prolongam desde 1960/1961, eram preenchidos nos seus dois pisos por salas de aula normal. O corpo gímnico surge axialmente a este, estabelece a ligação ao corpo de apoio onde ficavam depósitos, cozinha e refeitório. A nova construção foi executada procurando seguir a lógica funcional existente e adequando a intervenção à coerência arquitetónica do edifício, foi assim executada na continuidade dos "braços" perpendiculares, diminuindo o impacto exterior da intervenção permitindo gerar no seu interior a volumetria adequada à instalação dos grandes espaços desportivos e polivalentes, bem como das áreas destinadas à biblioteca.

Acessos

Rua D. Maria Inês Schaller Dias

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano. Situado no planalto de São Bento, em cota superior à envolvente, forma um quarteirão regular, circundado pela Rua D. Maria Inês Schaller Dias, que lhe serve de acesso. A N. e a O. confronta com o bairro de São Bento, de construção coeva. A sua entrada principal, na Rua D. Maria Inês Schaller Dias, encontra-se no seguimento da Avenida Gago Coutinho e Sacadura Cabral, no centro do planalto, que serve de ligação entre o liceu e a cidade para N.. Nas traseiras, a SE., forma um miradouro que confina com o Jardim de São Bento, abrindo uma esplanada sobre a lezíria e a estação de caminhos-de-ferro de Santarém. Nas suas imediações, para O., encontra-se a Igreja e Mosteiro de Santa Clara (v. IPA.00003392).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Educativa: liceu

Utilização Actual

Educativa: escola secundária

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Estado Português: Ministério da Educação e Ciência

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: José Costa e Silva (1939-1943), Barra & Barreiros Arquitectos Associados (2008-2010); ENGENHEIRO: António Joaquim Simões Crespo (1939-1943), BETAR - Estudos e Projectos de Estabilidade (2008-2010); ARQUITETO PAISAGISTA: Gonçalo Byrne Arquitectos (2008-2010).

Cronologia

1836, 17 de novembro - é aprovado o Plano dos Liceus Nacionais (decreto da Reforma da Instrução Secundária, publicado no DG n.º 275, de 19 novembro 1836), incluído no vasto programa de reforma dos vários graus de ensino preconizado por Passos Manuel, no qual é reconhecida a importância da instrução secundária e se determina a abertura de um liceu em cada capital de distrito e dois em Lisboa; no entanto, a difícil conjuntura económica e social da época e, consequentemente, a incapacidade do governo setembrista em investir avultadas verbas, quer na construção de um vasto parque escolar, quer na formação de docentes, conduz a que este plano fique, em grande parte, por concretizar; 1843, 13 setembro - é já durante a governação de Costa Cabral que é criado, por portaria do Ministério do Reino, o Liceu Nacional de Santarém; 4 outubro - em ofício expedido pelo Conselho Superior de Instrução Pública fica estabelecido que o recém-criado estabelecimento de ensino funcione numas "casas disponíveis no antigo colégio desta vila, onde já se acha a Escola Normal Primária e de Ensino Mútuo", ou seja, a partir desta data e por um período de praticamente um século o liceu fica instalado no antigo Colégio Jesuíta, o Seminário Patriarcal de Santarém (v. IPA.00010134); no mesmo ofício é regulamentada a carga horária a praticar e definidas as disciplinas a lecionar; 1844 - é promulgada a reforma de Costa Cabral, onde, de entre as várias medidas propostas, se encontrava a possibilidade de ocupar os seminários religiosos com a instalação de novos liceus; 1847-1848 - muito embora tivesse sido criado há já quatro anos, o liceu entra finalmente em funcionamento, numa única sala polivalente, onde funcionam, para além das aulas, as sessões do Conselho Escolar, o gabinete de material didático e outros serviços do liceu; preenchem o currículo escolar as seguintes disciplinas, todas da área das Humanidades: Francês, Latim, Retórica e História; 1848-1849 - passa a ocupar a Casa dos Atos do Seminário, onde antes funcionara o Tribunal de Justiça; neste ano letivo o liceu funciona com 36 alunos, quatro professores e seis disciplinas; 1851, 6 de outubro - seguindo as instruções do Conselho Superior de Instrução Pública, o reitor dava o liceu como definitivamente constituído, providos que estavam todos os lugares de professores; 1852, 17 de outubro - por determinação do Patriarca de Lisboa, D. Guilherme Henriques de Carvalho, é restaurado o seminário e reiniciada a educação religiosa de mancebos; 1854, 12 de agosto - o liceu é incorporado no seminário, iniciando-se um longo período em que a história das duas instituições se confunde; sob o reitorado comum de Joaquim Moreira Pinto, os alunos regulares e os seminaristas estudam juntos, terminando, os últimos, os estudos religiosos no seminário; habilitam-se, então, ao exame final do liceu 53 alunos do liceu e 55 do seminário; 1856 - de acordo com uma reorganização do plano de estudos com o objetivo de alcançar um maior proveito quer para o Estado, quer para a Igreja, o ensino no Liceu de Santarém passa a contemplar doze disciplinas: duas de ciências naturais, oito de acordo com os cursos lecionados nos liceus de Évora e de Braga, uma cadeira de desenho e outra de música, sendo então considerado um liceu de primeira classe, ou "liceu maior"; 1860 - o liceu é considerado de segunda classe; 1861, 30 de julho - por insistência do cardeal patriarca de Lisboa e do Conselho Escolar, o liceu volta a ser considerado de primeira ordem; com esta promoção aumentou consideravelmente o número de alunos e alargou a sua área de influência pedagógica, ficando o liceu de Santarém a abranger 28 concelhos que se estendiam de Peniche a Tomar, e de Leiria a Coruche; 1875 - no entanto, o crescente número de alunos começa a preocupar as instâncias religiosas, pois os espaços ocupados pelo liceu tornam-se insuficientes, obrigando a um maior e mais efetivo contacto entre os alunos laicos e os seminaristas, o que, segundo as autoridades eclesiásticas pode "atenuar o entusiasmo das promissoras vocações religiosas"; o liceu e o seminário são, então, definitivamente separados, passando a dispor de reitoria e quadros de pessoal autónomos; 1880-1881 - são matriculadas as primeiras quatro alunas no liceu (quatro meninas oriundas de Torres Novas); 1891-1892 - o liceu recebe as primeiras alunas internas; nesta altura o liceu conta com uma população escolar de 297 alunos; 1897-1898 - o número de alunos começa a declinar, sendo agora de apenas 81; o reitor, Joaquim Maria da Silva, no "Relatório acerca do Estado Literário e Económico do Liceu" (citado em NÓVOA, SANTA-CLARA; 2003, p. 712) atribui este decréscimo populacional às políticas educativas que privilegiam os liceus centrais e as escolas técnicas, à falta de verbas e à incapacidade de gerir receitas próprias, o que conduz a que haja uma desadequação entre o material didático existente e o requerido pelos novos conteúdos programáticos, nomeadamente para o ensino das ciências; 1900-1901 - Joaquim Maria da Silva é exonerado do cargo de reitor do liceu; 1910 - António Ginestal Machado (1874-1940), reputado professor do liceu, é nomeado reitor, permanecendo no cargo até ser exonerado pelo Governo da Ditadura Militar (1926-1933), em 1926; fazendo uso do seu prestígio pessoal e profissional junto da hierarquia, o novo reitor consegue que o liceu passe a ser considerado Liceu Central, lecionando também o curso complementar da instrução secundária; 1911, 1 julho - igualmente por influência de Ginestal Machado é escolhido o santareno Sá da Bandeira (1795-1876), herói da Revolução Liberal, para patrono da escola, o que motiva mesmo a oferta de um retrato do marquês por parte do genro de Sá da Bandeira e que ainda hoje figura na sala dos professores; a elevação do liceu a central e o empenho pessoal do seu reitor e de parte do corpo docente aumentou o investimento no liceu que agora passa a ocupar todo o primeiro andar do edifício e que recebe obras, alargando-se a para a cerca do seminário onde foi construído um ginásio, equipado com o "sistema sueco"; na mesma altura foram equipados os laboratórios e criados (com dádivas de entidades particulares, nacionais e ultramarina), os museus de história natural, ciências naturais e colonial; 1928, 28 janeiro - por apoio aos alunos opositores do regime são suspensos seis professores do seu corpo docente e os lugares postos a concurso; durante dois anos não se reúne o Conselho Escolar; 1931 - Ruy da Silva Leitão é nomeado reitor, durante o seu reitorado vai-se empenhar por reabilitar a imagem do liceu, é neste contexto que, dois anos mais tarde, edita a primeira monografia do liceu na revista Labor e no Boletim da Junta Geral do Distrito de Santarém; 1932-1933 - o liceu encontra-se sobrelotado, sobretudo devido ao excesso de alunos internos, neste ano letivo estavam inscritos 479, organizados em catorze turmas, para um espaço de sete salas, o que obrigava a que as aulas funcionassem em regime de desdobramento; em período de exames, com a afluência dos alunos externos, a situação deteriorava-se significativamente; 1937 - são aprovadas obras de reparação da cobertura, a realizar pela Repartição de Estudos e Edifícios da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, no valor 98.000$00; 1938, 21 abril - é aprovado, pelo Decreto-lei n.º 28.604 (publicado no DG, 1.ª série, n.º 91) o programa das novas construções, ampliações e melhoramentos dos edifícios liceais (o chamado "Plano de 1938"), cuja execução fica a cargo da recém-criada Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário (JCETS); neste programa está prevista a construção de um liceu para Santarém (misto, para 16 turmas), a edificar em terreno cedido pela autarquia; para a sua concretização a JCETS é dotada de 4.300.000$00; 1938, agosto - iniciam-se as obras de reparação das coberturas do edifício do velho liceu; também a fachada necessitava de limpeza e as caixilharias de pintura; 1939 - é dada indicação para apenas se proceder às intervenções mais urgentes, já que o liceu vai ter um novo edifício; 1939, julho - é apresentado o projeto, da autoria do arquiteto José Costa e Silva e do engenheiro António Joaquim Simões Crespo, ambos pertencentes ao quadro técnico da JCETS; dezembro - inicia-se a obra, nos terreno cedidos para o efeito pela autarquia, no Planalto de São Bento, em zona de expansão urbana, tem "(...) fachadas para todos os lados, próximas das ruas projetadas, as quais circundam o edifício e dão acesso a um admirável miradouro do lado nascente (...)" (MOPC/JCETS, 1941, p. 10, citado em NÓVOA, SANTA-CLARA, 2003, p. 718); 1941 - no primeiro Relatório dos Trabalhos Realizados, 1940, apresentado pela JCETS é anunciado um "Programa Geral para a Elaboração dos Projectos dos Liceus", que explicita todas as exigências e características espaciais a que os edifícios devem responder, quer no que respeita à representação espacial da organização curricular, quer quanto à distribuição dos vários serviços, quer quanto à forma como o edifício deve garantir a separação dos sexos, num liceu misto, e a dos ciclos, em todos os liceus; este programa uniformiza a linguagem arquitetónica e urbanística utilizada, de modo a servir os ideais historicistas e de caráter representativo pretendidos pelo Estado Novo; o Liceu Sá da Bandeira foi o primeiro liceu do "Plano de 1938" a ser edificado e, muito embora o seu projeto seja anterior à publicação pela JCETS do "Programa Geral para a Elaboração dos Projectos dos Liceus", segue já as normas nele definidas; 1943-1944 - são inauguradas as novas instalações, ainda sem as instalações elétricas estarem concluídas (por dificuldades de aquisição do material, o que levou a que chegasse a ser equacionada a hipótese de transferir a instalação elétrica do antigo edifício); as novas instalações são muito criticadas nos relatório do reitor, Ruy Silva Leitão, nomeadamente por, no seu entender, os espaços dos museus não ser suficientemente condigno e o ginásio, ao assumir também as funções de salão de festas, não desempenhar capazmente nenhum dos seus papéis (no entanto, estas encontra-se conforme as normas que vão orientar a edificação de liceus pelos próximos vinte anos); 1946-1947 - a população estudantil é já de 463 alunos (308 rapazes e 155 raparigas); 1955-1956 - o número de alunos (internos e externos) ultrapassa já os quinhentos, obrigando a adaptar a salas de aula espaços que não tinham sido pensados para o efeito, sobretudo em época de exames; 1956-1957 - ao invés de dos alunos do ensino privado da área de jurisdição deste liceu aqui se deslocarem para a realização de exames, são os docentes a deslocarem-se aos estabelecimentos de ensino privado, criando assim uma situação anómala; 1960-1961 - surge, finalmente, a resposta ao constante crescimento da população estudantil, uma vez mais por atuação da JCETS, procede-se à ampliação do imóvel, são então construídos mais dois corpos (a N. e a S.); 1962-1963 - o número de alunas é superior ao de alunos; 1972-1973 - uma vez mais, como nova resposta ao aumento da população estudantil são implantados três pavilhões prefabricados no recinto do liceu; 1973-1974 - no ano da Revolução de Abril, a população estudantil chega aos 1900 alunos distribuídos por 40 turmas; 1978, 27 de abril - passa a designar-se Escola Secundária Sá da Bandeira (Decreto-lei n.º 80/78, publicado no DR, 1.ª série, n.º 97, termina com a distinção entre liceus e escolas técnicas, uniformizando as designações do ensino secundário); 1994, dezembro - integra a Rede de Escolas Associadas da UNESCO, por convite daquela instituição internacional, ocorrido após a visita a Santarém, em maio do mesmo ano, do diretor do Centro de Património Mundial da UNESCO, Bernd Von Droste, motivada pela candidatura da capital ribatejana a Património Mundial; 2006, 24 agosto - o edifício está em vias de classificação, nos termos do Regime Transitório previsto no n.º 1 do Artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 173/2006, DR, 1.ª série, n.º 16, tendo esta caducado, visto o procedimento não ter sido concluído no prazo fixado pelo Artigo 24.º da Lei n.º 107/2001, DR, 1.º série A, n.º 209 de 08 setembro 2001; 2007-2010 - as instalações recebem obras de requalificação realizadas pela empresa pública Parque Escolar, E.P.E., no âmbito da execução do Programa de Modernização Modernização das Escolas do Ensino Secundário afetas ao Ministério da Educação; a intervenção, a cargo de Barra & Barreiros Arquitectos, sob coordenação de José Barra, procurou respeitar a lógica funcional anterior, para o que definiu duas diferentes as linhas de atuação, a recuperação e a remodelação dos espaços existentes, maioritariamente destinados a salas de aulas e espaços administrativos, e a construção de novas áreas destinadas à biblioteca e aos espaços desportivos, polivalentes e laboratoriais. A nova construção foi executada na continuidade dos "braços perpendiculares" do edifício, permitindo gerar no seu interior a volumetria adequada à instalação dos grandes espaços desportivos e polivalentes; 2013 - é criado o mega Agrupamento de Escolas Sá da Bandeira, que associa a Escola Secundária Sá da Bandeira (escola sede) com a Escola Básica dos Segundo e Terceiro Ciclos D. João II e mais treze escolas do primeiro ciclo do ensino básico, dez das quais com pré-escolar.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Estrutura em betão armado e alvenaria de tijolo, rebocada e pintada; coberturas em telhado de telha tipo românico sobre estrutura de madeira formada por escoramentos apoiados no teto de betão, socos, revestimentos, degraus e pavimentos em cantaria de calcário; caixilharias em madeira, vidro e metal; pavimentos interiores em madeira; lambris e pavimentos dos espaços comuns em ladrilho hidráulico

Bibliografia

ALEGRE, Alexandra; HEITOR, Teresa (coord.) - Liceus, Escolas Técnicas e Secundárias. Lisboa: Parque Escolar, EPE/Argumentum - Edições, Estudos e Realizações, 2010; ALEGRE, Maria Alexandra de Lacerda Nave - A Arquitectura Escolar: O Edifício Liceu em Portugal (1882-1978). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian/Fundação para a Ciência e Tecnologia, 2012 (Textos Universitários de Ciências Sociais e Humanas); BRAZ, José Campos - Santarém Raízes e Memórias: Páginas da Minha Agenda. Santarém, Santa Casa da Misericórdia de Santarém, 2000; HEITOR, Teresa (coord.); AA.VV. - Parque Escolar 2007-2011: Intervenção em 106 Escolas. Lisboa: Parque Escolar, EPE/Argumentum - Edições, Estudos e Realizações, 2011; MARQUES, Fernando Moreira - Os liceus do Estado Novo. Arquitectura, currículo e poder. Lisboa: EDUCA, 2003; Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1952. Lisboa: MOP/JCETS, 1953; Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1959. Lisboa: MOP/JCETS, 1960, vol. 2; www.bbarquitectos.pt [acedido em novembro 2014]; www.essb.pt [acedido em novembro 2014]; www.parque-escolar.pt [acedido em novembro 2014]

Documentação Gráfica

Arquivo do Ministério da Educação www.sibme.min-edu.pt

Documentação Fotográfica

Arquivo do Ministério da Educação www.sibme.min-edu.pt; www.parque-escolar.pt/pt/escola/081

Documentação Administrativa

DGEMN:REE-0211/27; DGEMN:DSMN-0354/10; DGEMN:CAM-0281/21; DGEMN:CAM-0284/04; DGEMN:CAM-0333/02; DGEMN:CAM-0333/03

Intervenção Realizada

DGEMN: 1961 - fornecimento de mobiliário para a parte ampliada

Observações

Autor e Data

Paula Tereno 2014

Actualização

 
 
 
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