Câmara Municipal de Abrantes

IPA.00002068
Portugal, Santarém, Abrantes, União das freguesias de Abrantes (São Vicente e São João) e Alferrarede
 
Arquitectura político-administrativa e judicial, maneirista. Paços municipais com uma organização espacial inicial adaptada a diferentes funções, comuns em edifícios desta natureza - Casas da Câmara e Audiências, Casas da Aposentadoria para os ministros das Correições, cadeia, habitação para o carcereiro, etc. Construção maneirista, de fachadas rectilíneas apenas animadas pelo rasgamento ritmado e simétrico dos vãos. A varanda corrida que percorre a fachada principal ao nível do piso superior, assente em modilhões, que lembram mata-cães medievais, constitui uma intromissão alheia ao espírito inicial.
Número IPA Antigo: PT031401130007
 
Registo visualizado 246 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Político e administrativo regional e local  Câmara municipal  Casa da câmara, tribunal e cadeia  

Descrição

Planta rectangular, volume simples adaptado ao forte desnível do terreno do lado NO., com cobertura homogénea em telhado de quatro águas; na extremidade N., assente sobre o telhado, ergue-se o volume prismático da torre sineira. Massas dispostas na vertical, em três registos; fachadas delimitadas por pilastras e fortes cunhais apilastrados, sobre altos plintos, com embasamento acompanhando o desnível da encosta nas fachadas laterais, friso divisório entre o segundo e o terceiro pisos, remate em cimalha moldurada. Fachada SE. - três portas de verga em arco abatido, arquitravadas, no piso térreo, três janelas quadrangulares de vergas rectas, com parapeito gradeado, no piso médio, três portas - janelas de vergas rectas arquitravadas, abrindo para um balcão corrido apoiado em cachorros, com varandim em ferro; fachadas laterais rasgadas por três janelas quadrangulares e porta de verga recta, no piso térreo, por 5 janelas de vão quadrangular de vergas rectas arquitravadas no piso médio, por cinco portas - janelas de vergas rectas arquitravadas com balcões gradeados no piso superior. Adossados aos cunhais da fachada principal, ao nível do terceiro piso, dois escudos com as armas de Abrantes, envoltas por cartelas com enrolamentos maneiristas. INTERIOR: O acesso aos pisos superiores faz-se pela fachada lateral SO., por escada de 1 lance que se subdivide em dois depois de um patamar intermédio; átrio no piso térreo forrado a azulejos figurativos, em azul e branco, realizados pela Fábrica Viúva Lamego. No piso nobre conservam-se ainda a sala nobre, ocupando a fachada principal e três salas menores, todas com tectos em caixotão.

Acessos

Praça Raimundo José Soares Mendes, n.º 14 a 26; Rua José Estêvão

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977

Enquadramento

Urbano, meia encosta, flanqueado. Integrado em pleno Núcleo Urbano de Abrantes, (v. PT031401110084), abre a fachada principal para uma ampla praça, rodeada por edifícios de habitação e comércio, de três pisos, tendo numa das faces o CIAC (v. PT031401130085), e num dos ângulos uma Fonte (v. PT031401130027); as fachadas laterais são contornadas por duas vias de circulação paralelas.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Política e administrativa: câmara municipal

Utilização Actual

Política e administrativa: câmara municipal

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Mateus Fernandes (1595). CANTEIRO: Baltasar Marinho (1593). PEDREIRO: Manuel Luís da Silva (1715-1717).

Cronologia

1593, 10 Julho - ordem régia para que Baltasar Marinho executasse a nova casa da câmara, por 2000 cruzados; 1595, 30 Setembro - os condes de Abrantes e os vereadores do Senado municipal contrataram-se com o "arquitecto e mestre das obras de El-Rei Mateus Fernandes" para que ele fizesse, por preço de 880$000, as "casas da Camara da dita vila", conforme à "trassa e apomtamentos que diz fez", em tempo de três anos; os oficiais da Câmara forneciam a mão-de-obra, carreteiros, almocreves, servidores, barqueiros, além dos materiais, cabendo ao arquitecto cobrir os custos de férias dos oficiais de pedraria e carpintaria empregues na construção. (segundo Vitor SERRÃO, in ESTUDOS DE ARTE E HISTÓRIA, 1995); 1602 - 1609 - reedificação das casas da Câmara provavelmente no mesmo local ocupado pelo anterior edifício; 1646 - reparações na cadeia; 1685 - uma descrição refere as casas das audiências e da vereação, em andares distintos, com varandas abertas para a Praça e alpendre sob as mesmas; as casas da Câmara tinham também a sua torre sineira; a entrada para os pisos superiores fazia-se já pela fachada SO.; 1700 - reparação dos telhados e portas; 1715 - 1717 - reconstrução do edifício por ordem de D. João V, tendo o mesmo adquirido então parte das características arquitectónicas que ainda hoje conserva; desapareceram as águas-furtadas e as loggias então construídas; 1723 / 1750 / 1752 / 1756 e 1767 - obras de manutenção e remodelação; 1991 - restauro da fachada principal - rasgamento de novos vãos no piso térreo, gradis nas janelas do piso intermédio, varanda corrida do piso superior.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria rebocada e caiada; cantaria em cunhais, pilstras, frisos e molduras de vãos; cobertura em telha cerâmica; ferro nas guardas das janelas; madeira e vidro nas janelas e portas.

Bibliografia

MORATO, Manuel António, CAMPOS, Eduardo (notas críticas de), Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes, 2ª ed., Abrantes, 1990; SERRÃO, Vítor, As Igrejas de S. Vicente e de S. João Baptista, em Abrantes, e os seus Arquitectos, pp.451-458, in AAVV, Estudos de Arte e História, Homenagem a Artur Nobre de Gusmão, Lisboa, 1995; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vol. II; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73851(consultado em 08-07-2016).

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; CMAbrantes

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; CMAbrantes

Documentação Administrativa

CMAbrantes

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1991 - restauro da fachada principal - rasgamento de novos vãos no piso térreo, gradis nas janelas do piso intermédio, varanda corrida do piso superior.

Observações

O brasão de Abrantes, aposto simetricamente nos dois cunhais da fachada principal do edifício, mostra ao centro uma estrela de 8 pontas, rodeada por quatro lizes e quatro corvos esvoaçantes, associados ao culto a São Vicente, cuja relíquia fora trazida de Lisboa e guardada na igreja de que era orago.

Autor e Data

Rosário Gordalina 1991 / Isabel Mendonça 1995

Actualização

Cecília Matias 2007
 
 
 
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