Capela de Nossa Senhora do Amparo

IPA.00020227
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Santo António
 
Arquitectura religiosa, maneirista. Capela de planta longitudinal simples adossando-se à fachada lateral esquerda da antiga casa vincular e tendo adossada na oposta sacristia. Fachada principal terminada em empena e rasgada por portal de arco de volta perfeita, de fecho saliente, sobre pilastras toscanas, e encimado por friso e cornija. Interior com tribuna aberta no lado do Evangelho comunicacando com a antiga casa e cobertura de estafe em masseira; retábulo-mor pétrio maneirista, de planta recta e um eixo, igualmente de arco de volta perfeita encimado por friso e cornija, possuindo ao centro tela novecentista alusiva ao orago.
Número IPA Antigo: PT062203050173
 
Registo visualizado 55 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta longitudinal de nave única rectangular, tendo adossado a S. em plano superior dependência com tribuna para o interior e ruínas da antiga casa e a N. a sacristia quadrangular. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na capela, de quatro na dependência e de três na sacristia, estes dois últimos com remates em beirais duplos de telha romana. Fachada principal alta, rebocada, virada a E., terminada em empena simples rematada por cruz de Cristo em cantaria cinzenta da região. Portal de arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas, de fuste moldurado, com seguintes salientes em ponta de diamante com enrolamentos nas faces, encimado por friso e cornija; portadas originais de madeira almofadas. No lado direito, dispõe-se pia de água-benta arredondada e formando gomos, em cantaria cinzenta. Fachada lateral N. com estrutura em ferro de ferro onde se encontra o sino e a sacristia é rasgada por porta de verga recta simples virada a a E.. Fachada O. cega, com escada de passadas de pedra basáltica de acesso à dependência da tribuna, junto a um terreno anexo que é considerado de passal e ruínas da primitiva construção. A S. possui a antiga construção adossada e transformada, com excepção da dependência da tribuna que se encontra no piso superior e apresenta grande janela a E., emoldurada a cantaria e com portadas pintadas de castanho. INTERIOR com pavimento de tijoleira, paramentos rebocados e pintados de branco com embasamento a castanho e cobertura de estafe de masseira, pintada de branco. No lado do Evangelho, abre-se superiormente tribuna, de vão rectangular, com moldura em cantaria cinzenta, e fechada por rótulas, de duas folhas, pintadas de castanho. Supedâneo de cantaria acedido por dois degraus, tendo no lado da Epístola porta de acesso à sacristia, com chão de tijoleira, cobertura em gamela, e com porta e janela para o exterior. Retábulo-mor pétrio, pintado a marmoreados, de planta recta e um eixo, delimitado por pilastras, assentes em volumosas consolas, tendo fuste sobreposto por mísulas encimadas por elementos vegetalistas e com capitéis coríntios; as pilastras suportam arco de volta perfeita, igualmente decorado com elementos vegetalistas, os seguintes são salientes formando florões, sendo encimado por friso e cornija; ao centro, sobre sotobanco de madeira com quatro apainelados de acantos geométricos, possui tela com representação de Nossa Senhora do Amparo, envolvida por decoração sobreposta com de dragoeiro. Altar paralelepipédico, pintado de branco com frontal ornado de resplendor e, no centro, a inscrição JHS.

Acessos

Sítio dos Álamos, Caminho da Penteada, nº 39

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Ergue-se no cimo de uma escadaria empedrada, num recanto embelezado por arbustos e flores, que a escondem, junto às ruínas da grande casa vincular e outras dependências, que constituíam a sede da antiga instituição vincular de água de Mel. Junto à capela, o pavimento é em cimento ou em calhau rolado.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR: Max Romer (1938).

Cronologia

Séc. 15 - D. Maria de Bettencourt *1 instituiu o morgado de Água de Mel a favor de seu sobrinho, Gaspar de Bettencourt, na sequência do qual se deve ter construído a capela; 1698 - reconstruída por Bartolomeu de Sá Machado, que com seu solar e terrenos anexos constituíram a sede de morgadio de Água de Mel (FRUTUOSO, Gaspar, 1873); foi seu último representante o segundo Conde de Carvalhal (SILVA, Pe. Fernando Augusto da e MENEZES, Carlos de, 1978); 1731- intervenção do Bispo do Funchal, D. Manuel Coutinho, obrigando o morgado José de Vasconcelos Bettencourt de Sá Machado a efectuar reparações; 1766 - era administradora D. Guiomar Madalena Bettencourt de Sá Machado, possuídora de outros vínculos, passando o morgadio e capela a ser integrada na maior casa vinculada da Madeira; 1789 - morrendo D. Guiomar sem descendência, fica como administrador o seu sobrinho João de Carvalhal Esmeraldo; séc. 19, 1ª metadde - passa para o segundo Conde de Carvalhal, último proprietário na linha directa; meados - antigos colonos, António e Sebastião Ribeiro, adquiriram a capela e terrenos anexos ficando esta propriedade até aos nossos dias; 1938 - execução da tela do retábulo, em substituição da original, pelo pintor alemão Max Romer; provavelmente por esta altura deve-se também ter marmoreado o retábulo e introduzido os nichos com imagens relevadas nas pilastras.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de pedra basáltica e alvenaria rebocada e pintada, molduras dos vãos em cantaria da região; fajoco vermelho; porta, coro-alto em madeira; pintura a óleo; pintura sobre pedra.

Bibliografia

CORDEIRO, António, História Insulana, vol. 11, 1866; FRUTUOSO, Gaspar, Saudades da Terra (edição anotada pelo Dr. Álvaro Azevedo), Funchal, 1873; SILVA, Fernando Augusto da, Subsídios para a História da Diocese do Funchal, vol. 1, 1925; IDEM, A freguesia de Santo António, Junta de Freguesia de Santo António, RAM, 1997; SILVA, Fernando Augusto da, MENEZES, Carlos Azevedo de, Elucidário Madeirense, vol. 1, 2 e 3, Funchal, 1978; ARM, JRC, cx. 5- nº 11 - Processo de D. Maria de Bettencourt.

Documentação Gráfica

DRAC

Documentação Fotográfica

DRAC; IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietário: séc. 20, 2º quartel - obras de conservação.

Observações

*1 - D. Maria de Bettencourt, instituidora do morgadio de Água de Mel, casou com Rui Gonçalves da Câmara, 2º filho de João Gonçalves Zarco, 3º Capitão donatário da ilha de São Miguel. Foi o 1º administrador desta casa vincular, sendo o último, seu sucessor, António Leandro da Câmara Carvalhal Esmeraldo Atouguia Bettencourt de Sá Machado, segundo Conde de Carvalhal. O brasão desta família é: em campo de prata, um leão negro rompante, armado de vermelho, tendo por timbre um leão igual. Em 1698, Bartolomeu Bettencourt de Sá Machado, fez uma petição ao bispo do Funchal, D. José Castelo Branco e dava conta que se tinha edificado novamente a Capela de Nossa Senhora do Amparo. Na Casa Carvalhal tinham-se reunido diversos vínculos ou morgadios, sendo os mais importantes o do Espírito Santo na Lombada da Ponta do Sol, instituído em 1511 pelo Flamengo João Esmeraldo, na vasta propriedade que comprara a Rui Gonçalves da Câmara, 2º filho de João Gonçalves Zarco e outros vínculos incluindo o de Água de Mel, do Paúl do Mar e na Ponta Delgada e ainda diversos pontos da ilha dos Açores. O morgadio de Água de Mel, é uma das mais antigas instituições vinculares da Madeira que remonta ao último quartel do séc. 15. A sua sede compreendia vastos terrenos, parte deles, pertencentes hoje à freguesia de São Roque. Era constituída por casa solarenga, duas dependências e a capela dedicada a Nossa Senhora do Amparo.

Autor e Data

Teresa Brazão 2003

Actualização

 
 
 
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