Castelo de Balsamão

IPA.00020090
Portugal, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Chacim
 
Fortificação medieval, construída no cimo de um monte, de que subsistem apenas dois troços de muralha, de perfil curvo, com paramentos aprumados em alvenaria de pedra e integrando cubelo quadrangular e o arranque de um outro. Castelo construído num monte com ocupação humana desde a Idade do Ferro e com excelentes condições de defesa natural, mas de que subsistem poucos vestígios devido à forte humanização do local e às obras de construção do convento e do seminário, respetivamente no séc. 18 e no 20. O próprio remate dos panos de muralha e do cubelo a O. resultaram das obras de restauro do séc. 20.
Número IPA Antigo: PT010405090141
 
Registo visualizado 223 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo    

Descrição

Muralha de perfil curvo, não fechando o circuito, por se encontrar incompleta, com paramentos aprumados em alvenaria de pedra mista, rematados atualmente em parapeito liso, escalonado no pano virado a S.. Pelo interior não possui adarve, mas é possível circular junto ao parapeito, devido ao grande desnível do terreno. A O. integra cubelo de planta quadrangular, disposto para o exterior da muralha e bastante avançado relativamente à mesma, com paramentos aprumados, remate em parapeito ameado, com ameias prismáticas, e cobertura em terraço, a que se acede por escada de pedra adossada na face interna. No limite O., onde o pano de muralha é interrompido, existe troço derrubado que avança da muralha, não sendo percetível a sua planimetria. Na zona mais elevada do monte, a NE., perto do local onde se ergue o depósito de água potável do santuário, existem ainda restos de mais um troço da muralha.

Acessos

Estrada municipal Chacim-Morais ou Estrada "João Paulo II"

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Rural, isolado, a 4 km da sede de freguesia, quase no topo do monte de Balsamão, denominado antigamente de Monte Carrascal, com 522 m de altitude. Construído parcialmente sobre afloramento rochoso, adapta-se ao declive do terreno, confundindo-se, em alguns troços, com o muro que sustenta a plataforma superior, sendo delimitado pela estrada. O interior do troço de muralha, com cota muito elevada, encontra-se coberto por pinheiros e vegetação. No topo da colina ergue-se o Convento de Balsamão (v. IPA.00020091) e, ao longo da encosta, as oito capelas dos Passos da Paixão de Cristo que compõem o santuário, ficando nas imediações da muralha a Capela dos Cajados e o cemitério. O monte é banhado a S. pelo rio Azibo, afluente do Sabor, atravessado pela Ponte de Paradinha (v. IPA.00000456), e a N. pela Ribeira de Veiga.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Bragança - Miranda)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Época medieval / Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Época do Ferro - primeira ocupação do monte com desenvolvimento de um povoado fortificado, do qual subsistem atualmente poucos vestígios estruturais; ocupação do povoado pelos romanos; Época medieval - aqui terá existido uma vila e, provavelmente, procede-se à construção de uma ermida, atribuída à Ordem de Malta, sobre as ruínas de uma mesquita ou primitiva capelinha; 1212 - primeira notícia histórica ao local como Monte Carrascal, durante o reinado de D. Afonso II, ali existindo um castelo; séc. 17 - a povoação já se encontrava completamente abandonada; 1731, 18 julho - escritura de venda de "hum pedaso de cham com hua figueira dentro sito na quinta das Olgas do termo desta dita villa que esta dentro de huma cortinha de Placido Rodrigues do lugar de Olmos", entre o irmão António de São José, ermitão barbadinho, "prezidente e asistente na capella de nossa Senhora de Balsamão", e Pedro de Mesquita e sua mulher Maria, por 14$400; 1732, 2 março - doação do Monte do Caramouro pela Câmara de Chacim aos congregados dos Barbadinhos, referindo o documento que os mouros haviam vivido naquele cabeço e monte "acastellados em hua Expugnavel fortaleza de que ainda se conservão parte dos seus Muros"; 1746, 12 abril - bênção do recolhimento de Balsamão, construído junto à antiga ermida, pelo abade de Vinhas, o Pe. Roque de Sousa Pimentel; durante a construção do convento, foram recolhidas do subsolo algumas moedas romanas e vestígios osteológicos; 1758, 28 fevereiro - Gaspar da Rocha Ferreira nas Memórias Paroquiais da freguesia, refere o santuário com as suas sete capelas dos Passos e a tradição de ali oferecem os moradores da vila, desde tempo antiquíssimo, na segunda-feira depois da Páscoa do Espírito Santo, uma vaca ou boi, aos pobres que se elegem em câmara, e os casados de novo, em ação de graças à Senhora de Balsamão, por os livrar do tributo das donzelas; da fortificação ainda se vêm os vestígios de seus muros; posteriormente, quando se realizam outras obras no local, deteta-se uma necrópole com sepulturas escavadas na rocha; 1834 - com a extinção das Ordens Religiosas, parte da cerca é colocada em hasta pública e passa para a posse de particulares; 1954 - os então proprietários do santuário e antiga cerca, onde se ergue o castelo, o Dr. António Meneses Cordeiro e sua filha, Maria Leopoldina, e marido, Dr. Acácio Vítor Ferreira, cedem a posse dos mesmos à Congregação de Padres Marianos da Imaculada Conceição, que voltam a administrar o local; nessa data, do castelo restam as bases das duas torres, perto uma da outra, tendo-se reconstruído apenas a da direita e deixando-se a da esquerda como estava, e vários troços das muralhas da cerca.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de xisto; argamassa nas juntas.

Bibliografia

CAPELA, José Viriato, BORRALHEIRO, Rogério, MATOS, Henrique - As Freguesias do Distrito de Bragança nas Memórias Paroquiais de 1758. Memórias, História e Património. Braga: José Viriato Capela, Rogério Borralheiro, Universidade do Minho, 2007; MORAIS, Padre José Manuel, LEMOS, Fernando Andrade e - «O Convento de Balsamão em 1834». In Páginas da História da Diocese de Bragança-Miranda. Congresso Histórico 450 Anos da Fundação. Bragança: Comissão Executiva das Comemorações, 1997, pp. 237-282; Castelo de Balsamão, (http://arqueologia.igespar.pt/index.php?sid=sitios.resultados&subsid=2129934&vt=2380238), [consultado em 24-04.2013].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Séc. 20 - obras de conservação e restauro do troço subsistente do castelo de Balsamão; 2004 - prospeção arqueológica para avaliação do estado de conservação dos sítios e caracterização estrutural dos mesmos.

Observações

*1 - Segundo a lenda, existia no monte um castelo ocupado por mouros que oprimiam os cristãos com pesados impostos, entre os quais o denominado "Tributo das donzelas", que consistia na obrigação de todas as noivas dos seus domínios passarem a noite de núpcias no castelo, com o emir. Um dia, realizou-se na vila de Castro, a cerca de 15 km de Balsamão, um casamento e a noiva, após a cerimónia, foi raptada e levada para o castelo. O noivo, filho do chefe dos Cavaleiros das Esporas Douradas da vila de Alfândega, e os habitantes de Castro e das redondezas, ocorreram ao sopé do monte a desafiar os sarracenos para o combate, de modo a libertar a noiva. Não estando habituados a lutar, os cristãos foram caindo mortos e feridos, enquanto as esposas e crianças rezavam em casa, apelando a Nossa Senhora. Surge então no campo de batalha uma Senhora vestida de branco, a curar os cristãos, trazendo nas mãos um raminho de flores e um vaso de bálsamo. Os cristãos recuperam e voltaram à batalha. Ao declinar da tarde, ouviu-se do cimo do monte um grito de vitória; tratava-se dos cavaleiros das Esporas Douradas de Alfândega que tinham ocorrido pela outra encosta ao monte e, entrando no castelo, decapitaram o rei mouro e libertam a noiva. Os soldados mouros vencidos dispersaram e os cristãos purificaram a mesquita e transformaram-na em capela, dedicada a Nossa Senhora com invocação de Nossa Senhora de Bálsamo na Mão, que viria a evoluir para Senhora de Balsamão. Ao lugar onde os mouros sofreram a chacina deram o nome de Chacim, a vila de Castro, pela vitória alcançada passou a chamar-se de Castro Vicente e a de Alfândega, pelo testemunho da Fé, de Alfândega da Fé. Uma outra versão da lenda refere que, na véspera do casamento, o jovem jurou à noiva que não a deixaria passar por aquela desonra. A noiva, receosa da vingança do tirano, implorou fervorosamente a proteção de Nossa Senhora de quem era muito devota e prometeu levantar-lhe uma capela se ela lhe valesse naquela aflição. No dia do casamento, depois da boda, o jovem recém-casado, disfarçado com o vestido da esposa, e acompanhado dos amigos com quem tinha combinado a revolta, apresentou-se no castelo, pedindo licença para, todos juntos, oferecerem presentes e prestarem vassalagem ao senhor. Aceite o pedido, a comitiva entrou na sala do castelo com as facas de matar porcos, dissimuladas nos açafates, ao jeito de presentes. Quando o rei mouro apareceu, para receber os presentes e levar a noiva, o jovem puxou do punhal e cravou-o no coração do tirano, ao mesmo tempo que os companheiros matavam os guardas. Inicia-se assim uma luta terrível e desigual, que culmina com a intervenção da Senhora com um vaso de bálsamo na mão, que ungiu e sarou as feridas dos cristãos, permitindo a sua vitória. *2 - Todo o terreno do monte de Balsamão encontra-se fortemente humanizado por ruas calcetadas, pequenos jardins, várias capelas, edifícios de apoio agrícola, habitacionais, e outros, impossibilitando a deteção de outros vestígios, nomeadamente fragmentos de cerâmica, que não chegaram a ser observados no local. Na encosta S., no entanto, em terrenos lavrados fora do complexo conventual, detetaram-se alguns poucos fragmentos de cerâmica manual da Idade do Ferro.

Autor e Data

Paula Noé 2013

Actualização

 
 
 
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