Colégio Novo / Colégio da Sapiência / Colégio de Santo Agostinho / Santa Casa da Misericórdia de Coimbra
| IPA.00001618 |
| Portugal, Coimbra, Coimbra, União das freguesias de Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu) |
| |
| Colégio universitário crúzio, constituindo uma grande mole que se impõe na zona alta da cidade, de planta irregular devido aos condicionantes do terreno, em termos de espaço, delimitado parcialmente pela murulha, e devido ao seu forte pendor inclinado, dificuldades que determinaram a escolha de um arquitecto régio para traçar o projecto. É de planta trapezoidal irregular, composto por claustro rectangular central, igreja longitudinal e um outro claustro dispostos a S., envolvidos pelas respectivas dependências. Fachadas de cunhais apilastrados e terminadas em friso e cornija, de grande sobriedade estilística, rasgadas regularmente por janelas sobrepostas, essencialmente de varandim, com molduras de cantaria simples e gradeamentos de ferro, que contrastam nitidamente com a decoração erudita interior, sobretudo da igreja e do claustro grande, talvez resultante da intervenção de outro arquitecto desconhecido, pois Filipe Terzi morrera em 1597. Possuía duas portarias dispostas em fachadas diferentes, uma mais próxima da igreja e outra da zona conventual, a qual acabou por funcionar como principal, dado se ter entaipado a primeira poucos dias depois da inauguração do Colégio. Como outros colégios e conventos de Coimbra, dispõe de uma fachada virada à cidade e ao rio, de arranjo cenográfico. A igreja desenvolve-se descentrada da construção, com fachada principal sem ligação directa para a rua, e sendo de pequenas dimensões, só perceptíveis no interior, e que é acentuada pelo prolongamento do coro-alto por dois tramos da nave. Exteriormente, no entanto, a sua localização é assinada volumetricamente alteada e ampliada de modo a conferir-lhe uma falsa grandiosidade; de facto, a invulgar colocação de um dormitório sobre a igreja alteia-a e o prolongamento desse corpo sobre o restante edifício, permite conferir um tratamento mais cuidado no seu enfiamento às fachadas compridas, através de pilastras suportando frontões triangulares com imagem do padroeiro em nichos abertos nos tímpanos, não constituindo contudo o remate da fachada principal da igreja propriamente dita. A igreja tem, no interior, coro-alto, nave de quatro tramos, para a qual se abrem capelas laterais profundas intercomunicantes, sobre as quais surgem galerias que ligam a tribunas, transepto inscrito e capela-mor profunda, tendo sacristia adossada perpendicularmente. O acesso ao interior faz-se por portal central mais elevado, de verga recta ladeado por pilastras suportando entablamento sobrepujado por tabela em janela, aletas e pináculos, e dois laterais de verga recta simples, de ligação a corredores. Cobertura em falsa abóbada de lunetas, em estuque, ornada por almofadas geométricas concêntricas, de tramos definidos por arcos de volta perfeita também decorados com almofadas assentes em pilastras toscanas molduradas, tudo num jogo cromático de ocre e branco. A mesma decoração surge nas capelas laterais, com retábulos de talha dourada policroma e dourada tardo-barrocos. A capela-mor é coberta por ábobada de berço, decorada profusamente com estuques e retábulo-mor igualmente em talha dourada policroma e dourada tardo-barroco. Os púlpitos surgem ladeando o arco triunfal, posição pouco comum, e com baldaquinos esculpidos ricamente decorados, revelando influência das obras da oficina de João de Ruão. Os quatro retábulos laterais possuem a mesma estrutura, excepto um que apresenta ligeira decoração, e albergavam telas alusivas ao orago agostinho, actualmente apeadas. O retábulo-mor, mais rico, possui na ara de altar a figura de Cristo Morto, reflectindo o culto ligado ao martírio de Cristo presente em todas as misericórdias, função para a qual foi adaptada no final do séc. 19. No coro-alto, com pavimento de mármore, de ricos motivos concêntricos, o cadeiral segue o esquema das cadeiras capitulares. Sacristia e ante-sacristia revestidos a azulejos seiscentistas formando tapete, constituindo, egundo Santos Simões, o maior conjunto de azulejos conhecidos com o padrão P-378, sendo de destacar ainda o arcaz maneirista em madeira de castanho com embutidos de marfim e o tenebrário rococó; o painel com representação da Visitação da Virgem a Santa Isabel, de perfil superior curvo, aqui exposto, deverá ter pertencido à boca da tribuna do retábulo-mor barroco da antiga igreja da Misericórdia. A zona conventual é acedida pela portaria maneirista implantada na fachada O., com portal de verga recta e alhetas em leque enquadrado por pilastras almofadadas e frontão triangular. Seguindo a estrutura típica dos edifícios das ordens da regra de Santo Agostinho, a portaria tinha capela, de dois tramos e portal bastante esculpido, conduzindo ao claustro principal, o qual define a estrutura do convento, com refeitório no 1º piso, a N., ligado à cozinha, 4 salas de aula nas alas E. e O., conforme esquema típico dos colégios de Coimbra, e dormitórios em ala comprida com corredor central e celas de ambos os lados. O claustro com motivo serliano, fechado no 2º piso, com pátio lajeado e cisterna, liga-se ao esquema dos Jesuítas, apresentando afinidades com o claustro do Convento de Cristo em Tomar (v. 1418120002). Servindo de contraponto, o claustro mais pequeno, inconcluído, é de arcadas sobre pilares, com fonte central e quatro canteiros, sugerindo um claustro de contemplação. Nas alas do primeiro piso as abódadas são de aresta ou de berço, adaptando-se às diferentes dimensões dos tramos, determinadas pelo módulo serliano, possuindo os panos decorados com motivos geométricos e cartelas com símbolos Agostinhos e os bocetes de cantaria igualmente decorados, tudo num rico jogo cromático; nos paramentos, silhar de azulejos barrocos, de composição ornamental seriada em albarradas. Bandeira real da Misericórdia do séc. 18, com inscrição latina em ambas as faces. A Misericórdia de Coimbra possui o Compromisso mais antigo conhecido em Portugal, datado de 1500, actualmente depositado na Biblioteca Geral da Universiade de Coimbra. |
|
| Número IPA Antigo: PT020603020016 |
| |
| Registo visualizado 3174 vezes desde 27 Julho de 2011 |
|
| |
|
|
|
Edifício e estrutura Edifício Educativo Colégio universitário
|
Descrição
|
| Planta trapezóidal irregular, composta por igreja longitudinal de nave única e capela-mor, claustro grande rectangular a N. e ao meio da construção, e outro mais pequeno em U a S., envolvidos pelas respectivas dependências, com duas portarias em fachadas diferentes. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja, a três nos corpos do Colégio e em terraço sobre um corpo a N., claustro pequeno e torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com cunhais apilastrados e remates em friso e cornija moldurada, de estuque ou de cantaria, encimada por beiral. Fachada S. com três corpos, o da esquerda integrando a portaria virada a Sub-Ripas e torre sineira, o central mais recuado correspondente ao claustro pequeno, fechado por alto muro, e o da direita mais alto. O primeiro corpo possui dois registos, parcialmente separados por friso, tendo a zona da portaria terminada em empena sobre pilastras assentes em mísulas colocadas ao nível do friso divisor dos registos. É rasgada por portal de verga recta ladeado por moldura em falso rústico formando inferiormente voluta estilizada, encimado por friso de azulejos com a inscrição "Santa Casa da Misericórdia", e frontão de volutas, com cornija inferior denticulada, interrompido por esfera armilar sobreposta por brasão, assente em mísula, e encimado por coroa fechada; sobre o portal, abre-se janela de sacada sobre duas mísulas, de verga recta e gradeamento de ferro. À esquerda, no segundo registo, janela de varandim, de verga recta e gradeamento de ferro. A torre sineira, quadrangular, com cunhais apilastrados, tem também dois registos, tendo no primeiro fresta moldurada e no segundo relógio de sol circular e ventana moldurada, que se repete nas outras fachadas, com arco em volta perfeita e pedra de fecho saliente, albergando sino; remate em gradeamento de ferro e acrotérios nos ângulos. No corpo central claustro de dois ou três registos, o primeiro em cantaria, com arcada avançada de dois arcos de volta perfeita sobre pilares quadrangulares por face, encimados por terraço com guarda de ferro e acrotérios de cantaria. No segundo piso, percorrido por silhar de azulejos e no terceiro, prolongando-se para a esquerda sobre o corpo da portaria, rasgam-se janelas, as do terceiro piso de varandim, molduradas a cantaria, de verga recta e com guardas de ferro. Todas as alas do claustro, bem como o muro que fecha o U, possuem silhar de azulejos monócromos azuis sobre fundo branco, com composição ornamental seriada em albarradas, alguns troços já sem cercadura; pavimento cerâmico e cobertura em abóbada de aresta em tijolo, com bocete central decorado e tramos separados por arcos de volta perfeita sobre mísulas. Quadra lajeada a cantaria, com quatro canteiros protegidos por muretes, desenvolvidos à volta de um poço circular central. O corpo da direita, adaptado ao declive do terreno é fenestrado apenas nos dois pisos superiores por quatro janelas, sobrepostas duas a duas, com três de varandim e uma de peitoril. Fachada O. de cinco panos, os dois laterais de diferentes dimensões, definidos por cunhais de cantaria, e os centrais, formando corpo sobrelevado autónomo, com os panos intermédios estreitos, delimitados por pilastras toscanas colossais, assentes em altos plintos. Possui três pisos, separados por frisos, rasgados regularmente por vãos sobrepostos, no primeiro por janelas de peitoril, e nos outros por janelas de varandim, molduradas, com guarda de ferro e caixilharia com bandeira. Nos três panos centrais, no segundo piso, janelas mais largas e baixas alternam com umas mais altas e estreitas, iguais a todas as outras, e no terceiro piso do pano central as janelas têm sacada sobre três mísulas; estes panos são encimados por entablamento e um quarto piso ao centro, correspondente a primitivos dormitórios desenvolvidos sobre a igreja, com o mesmo tipo de vãos; é delimitado por pilastras sobrepostas por bolas sobre plintos e termina em frontão triangular com o tímpano decorado por trabalhos de estuque de temática vegetalista, tendo ao centro nicho, de arco de volta perfeita encimada por cornija, albergando no interior imagem de Santo Agostinho. O quarto piso é ladeado por aletas com altos pináculos piramidais terminados em bola sobre acrotérios no alinhamento das pilastras. Fachada E. de dois, três e quatro pisos, consoante o desnível do terreno; são rasgados por janelas de peitoril, algumas entaipadas outras gradeadas, e janelas de varandim, com guardas de ferro, e todas com molduras simples de cantaria. No extremo esquerdo, a fachada posterior da capela-mor é marcada por pilastras toscanas sobrepostas, com entablamento separando dois registos, as quais suportam frontão triangular coroado por esfera armilar de cantaria e bolas sobre plintos no alinhamento das pilastras; no tímpano, abre-se nicho de arco de volta perfeita sobre pilastras caneladas, com o terço inferior marcado, assentes em mísulas de volutas e ladeadas por cartelas enroladas; encima-o entablamento e frontão interrompido por ornato; no interior, sob abóbada em concha, alberga imagem de Santo Agostinho sobre mísula vegetalista. Junto ao extremo direito da fachada, abre-se portal da antiga portaria virada à R. da Porta Nova, de verga recta com alhetas em leque enquadrado por pilastras almofadadas suportando duplo friso, parcialmente decorado com elementos vegetalistas, e frontão triangular. Fachada N. de perfil curvo e denotando os volumes escalonados, formando ângulo agudo com a fachada E., o primeiro rasgado irregularmente por vãos estreitos, o segundo por janelas-portas de acesso ao terraço, com pavimento em tijoleira e murado, e o terceiro com janelas de varadim e guardas em ferro. INTERIOR: Pela portaria à R. de Sobre-Ripas acedemos a corredor de ligação ao claustro pequeno, igreja, claustro grande (acesso fechado por portão de ferro e porta em vidro) e às salas de exposição e Arquivo da Misericórdia. O corredor possui embasamento de cantaria e silhar de azulejos monócromos azuis sobre fundo branco com composição ornamental seriada em albarradas, pavimento de mármores branco e rosa em losangos e cobertura em abóbada de arestas em tijolo, com bocete central decorado, seccionada em sete tramos por arcos de volta perfeita assentes em mísulas; no primeiro tramo, guarda-vento de madeira e vidro cria pequeno átrio e nas paredes dos seguintes expõem-se quadros com os benfeitores da Irmandade. No sexto tramo, abre-se à esquerda o portal principal da IGREJA, de verga recta decorada enquadrada por pilastras caneladas, com o terço inferior marcado, sobre plintos igualmente decorados, suportando entablamento assente em mísulas volutadas intercaladas por almofadas rectangulares sobre o friso; sobrepuja-o tabela em janela, também enquadrada por pilastras caneladas com o terço inferior marcado suportanto entablamento, ladeadas por aletas e pináculos piramidais decorados nos extremos. Nos tramos laterais abrem-se portais de verga recta simples, mais baixos, de acesso a corredores desenvolvidos ao longo da nave. A nave é coberta por falsa abóbada de lunetas, em estuque, ornada por almofadas octogonais concêntricas intercaladas por outras circulares em florões e, na zona das lunetas, por triangulares, de quatro tramos definidos por arcos de volta perfeita decorados com almofadas rectangulares assentes em pilastras toscanas molduradas, tudo num jogo cromático de ocre e branco. Coro-alto de cantaria ocupando os dois primeiros tramos, assente em abóbada de lunetas mas de perfil em asa de cesto, também de dois tramos decorados por almofadas geométricas, sobre pilastras com o mesmo tipo de decoração; nos segintes, sobressaem almofadas em ponta de diamante. O coro avança ao centro com perfil curvo e tem guarda em balaustrada de madeira; no coro-alto, com pavimento de mármore, branco e preto, com motivos concêntricos, e tijoleira nos contornos, possui cadeiral em U, de banco corrido assente em mísulas volutadas, com espaldar recto terminado em friso ornado por elementos fitomórficos, delimitando 20 lugares (inicialmente 24 ou 26) por outros dispostos verticalmente, decorados com motivos vegetalistas, nomeadamente folhas de oliveira. Perto da balaustrada, grande órgão de tubos. Na nave abrem-se lateralmente quatro capelas profundas confrontantes, intercomunicantes por vãos rectos, tendo no intradorso pequenos nichos de alfaias, encimadas por tribunas de verga recta, sobrepujadas por sanefas de talha dourada, com guardas em balaustrada e fechadas por portas de madeira ou, sobre o coro-alto para onde também se prolongam, envidraçadas; as tribunas são acedidas por corredores laterais que correm sobre as capelas. Estas possuem arco de volta perfeita sobre pilastras, com intradorsos ornados de estuques de motivos geométricos, pintados de branco, e seguintes em ponta de diamante; no interior, inseridos em arco de volta perfeita sobre pilastras, albergam retábulos de talha policromada a beje e aplicações douradas, e têm cobertura em abóbada de berço, formando caixotões igualmente com trabalhos de estuque; têm a invocação de Santo Agostinho e de Nossa Senhora da Piedade, no lado do Evangelho, e do Sagrado Coração de Jesus e do Calvário, no lado da Epístola. No último tramo da nave, desenvolve-se transepto, volumetricamente indistinto, já que possui o mesmo módulo de arco encimado por tribuna, possuindo nos topos vãos de verga recta moldurada ligando, do lado do Evangelho, ao claustro e, do lado oposto, à sacristia e anexos, por porta gradeada comungatória, encimada por sanefa de talha dourada; lateralmente, abrem-se ainda portas com a mesma modinatura. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras de extra e intradorso decorados por almofadas rectangulares convexas, num jogo cromático de branco e ocre, sendo encimado por apainelados trapezoidais nos mesmos tons com cartela central. É ladeado por dois púlpitos rectangulares sobre mísulas volutadas, com guarda plena ornada de cartelas, enrolamentos e elementos fitomórficos, sendo acedidos por vão de verga recta encimado por baldaquinos semicirculares, compostos por cúpula e lanternim, integralmente esculpidos. Capela-mor com embasamento de mármores rosa e preto com almofadas rectangulares e quadrangulares sobrepostas, interrompido por portas de verga recta com friso ornado, encimado por friso esculpido e frontão triangular com tímpano de pedra igualmente decorado; estas acedem aos púlpitos e aos anexos laterais. Sobre supedâneo, retábulo-mor de planta convexa e um eixo, definido por duplas colunas de fuste liso e capitéis coríntios suportando entablamento e frontão interrompido encimado pela Fé, do lado do Evangelho, e pela Esperança, do lado da Epístola, e remate em cornija borromínica. Sobre esta, é vísivel uma janela com vitral, de moldura em arco abatido com cornija. O retábulo é ladeado por duas pilastras com fuste decorado por motivos fitomórficos e duas mísulas com imaginária. Altar paralelepipédico com frontal envidraçado e contendo a figura escultórica do Cristo Morto. Cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque, formando caixotões, ornados ao centro e no cruzamento das molduras por florões pendentes muito volumosos, assente em friso e cornija ritmada por mísulas volutadas. A ante-sacristia, acedida pelo braço do transepto do lado da Epístola, e a sacristia, separadas por arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas, ambos molduradas, têm paramentos revestidos a azulejos de padrão monócromo azul sobre fundo branco, (P-378); a sacristia tem pavimento de mármore preto, branco e rosa formando losangos, possuindo arcaz em madeira de castanho com embutidos de marfim, encimado por nicho com Cristo crucificado; lavabo de espaldar rectangular, composto por dois silhares moldurados, separados por cornija, o inferior com duas bicas carrancas em bronze, e o superior com reservatório de vão em arco pleno e interior concheado, delimitados por pilastras toscanas que suportam frontão triangular; este possui bacia frontal rectangular de bordos arredondados sobre mísula piramidal invertida. Cobertura em falsa abóbada de berço assente em friso e cornija de cantaria ritmada por mísulas. No lado direito do corredor a partir da portaria de Sub-Ripas, dispõem-se a antiga Sala de Sessões ou do Despacho com núcleo museológico, de pavimento em tabuado de madeira e, sobre friso e cornija moldurada ritmada por mísulas volutadas, em estuque, tecto também de estuque decorado, tendo ao centro brasão da Misericórdia de Coimbra. Segue-se-lhe a antiga Sala dos Retratos dos Benfeitores, percorrida por silhar de azulejos de padrão policromo. O portal da R. da Porta Nova acede à antiga portaria principal, hoje átrio, pavimentado a lajes de cantaria, com restos de um silhar de azulejos monócromos azuis sobre fundo branco enxaquetado; à esquerda, precedido por escada, abre-se portal da antiga capela da portaria. O átrio liga a amplo corredor, com pavimento de lajes, silhar de azulejos monócromo azul sobre fundo branco formando padrão, coberto por abóbada de aresta de tijolo, onde está instalada a recepção da Universidade e conduz ao claustro grande e outros espaços. Claustro em cantaria, de dois andares separados por cornija, com 7 x 5 tramos, de interpretação serliana, composto no primeiro piso por arcos de volta perfeita sobre pilastras toscanas intercalados por vão recto encimado por moldura saliente rectangular sobrepujada por cartelas enroladas, entre colunas dóricas, com o terço inferior marcado, suportando entablamento da mesma ordem; no segundo piso abrem-se, sobre os arcos, janelas de varandim de moldura simples saliente, e gradeamento de ferro, e, sobre o entablamento, janela de sacada, com o mesmo tipo de molduras e ladeadas por colunas jónicas de fuste liso que suportam um outro entablamento, liso. Remate das alas em cornija moldurada encimada por beiral e sobrepujada por pináculos piramidais sobre acrotérios no alinhamento das colunas das janelas de sacada. Quadra lajeada a cantaria, em quadrículas, com cisterna central, de boca circular, coberta por estrutura de ferro. As alas possuem pavimento de mármores branco, rosa e preto, formando motivos geométricos, embasamento de cantaria e silhar de azulejos monócromos azuis sobre fundo branco com composição ornamental seriada em albarradas e açafates, e cobertura em abóbada de aresta de estuques, nos tramos maiores, com bocetes de cantaria decorados e panos com motivos geométricos e cartelas com símbolos agostinhos, e em abóbada de berço nos menores, com motivos geométricos sobrepostos, em ambos pintados de branco, cinza e rosa velho; os tramos são marcados por arcos formeiros de volta perfeita sobre mísulas, criando no topo dos paramentos falsos tímpanos de cantaria com elementos volutados salientes, enquadrando janelas quadrangulares de moldura simples; as portas são de verga recta moldurada encimado por friso e cornija recta. A ala O. do claustro prolonga-se atá à portaria de Sub-Ripas, dando acesso à igreja e claustro secundário. No segundo piso, as alas que ligavam aos antigos dormitórios e demais dependências do Colégio possuem pavimento cerâmico, silhar de azulejos modernos monócromos azuis sobre fundo branco de padrão, vãos de moldura recta simples, os das faces internas encimados por cornija estreita, e coberturas de madeira planas ou em masseira. Restantes dependências do Colégio alteradas, algumas com silhar de azulejos monócromos azuis sobre fundo branco formando padrão ou em albarradas, moderno ou seiscentista, e alguns espaços cobertas por abóbadas de tijolo. |
Acessos
|
| Rua de Sub-Ripas, Rua Colégio Novo |
Protecção
|
| Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria, DG, 2ª série, nº 269 de 17 novembro 1961 |
Enquadramento
|
| Urbano. Implanta-se a meia encosta do morro da cidade, numa zona de acentuados declives, em posição destacada ao casario, junto a terrenos da antiga cerca do Mosteiro de Santa Cruz (v. PT020603170004), parcialmente adossado às antigas muralhas da cidade (v. PT020603020012), com a fachada S. virada à Torre do Anto e tendo nas proximidades o Paço de Sub-Ripas (v. PT020603020015). Esta fachada é precedida por escada e possui gradeamento de ferro a vedar a fachada O., de onde se desfruta vasta panorâmica sobre parte da cidade, o rio Mondego e o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (v. PT020603160003). |
Descrição Complementar
|
| Na sacristia, candelabro das trevas ou tenebrário composto por amplo triangulo delimitado por moldura perspectivada, pintada de amarelo alaranjado, envolvendo desenhos vegetalistas estilizados e vazados, possuindo nos dois lados do triângulo enrolamentos escalonados com os castiçais para as 15 velas; assenta em fuste esquinado, com nó saliente de bordos arredondados, descrevendo forma triangular, e, este por sua vez, em pirâmide de três faces ornados por concheados e outros elementos, de onde partem os pés. Os retábulos laterais possuem estrutura semelhante: corpo convexo, de um eixo, com nicho contracurvado ao centro, flanqueado por colunas marmoreadas de fuste liso e capitéis coríntios, encimadas por frontão interrompido com querubim ao centro. Lateralmente, completa o espaço do arco, dois painéis pintados de branco com filetes dourados; o segundo retábulo do lado da Epístola apresenta a variante de ter o tímpano do frontão com decoração fitomórfica de enrolamentos. Altar paralelepipédico com frontal ornado por painel com estrela ao centro, e com os sebastos constituídos por estípides laterais. Órgão simétrico, com três castelos, o central proeminente, com remate em cornija e divididos por nichos contendo tubos de alumínio, os do nicho central em disposição cromática, tendo num dos tubos o escudo português, e nos castelos laterais e nichos disposição diatónica, os primeiros com flautas de palheta na base pouco proeminentes. As gelosias ostentam decoração fitomórfica vasada. A caixa é formada por apianelados com marmoreados de várias tonalidades, os das ilhargas com portas pintadas a imitar flautados. Consola em janela na face posterior. Pedaleira com trinta notas, tendo quinze registos, sete no lado esquerdo e oito no direito; o primeiro é constituído por flautado principal, bordão, flautado de quatro, pífaro, quinta, mistura de três e fagote; o direito é semelhante, tendo, no entanto, uma mistura de quatro, um clarinete e um orlos. O portal da capela da portaria tem verga recta de moldura decorada com elementos vegetalistas, enquadrado por duplas colunas dóricas, com terço inferior do fuste ornado de espiras com elementos discóides, assentes em altos plintos moldurados; tem nos intercolúnios nichos em arco de volta perfeita, com abóbada concheada e mísulas semicirculares esculpidas, encimados por frisos com inscrições muito delidas, o da esquerda alusiva a São Goldrofe e o do lado direito a São Próspero; as colunas suportam entablamento, de friso decorado por pontas de diamante e, no enfiamento das colunas, por rectângulos, salientes, e de cornija com friso denteado, sobrepujado por ático; este, tem ao centro nicho, de arco em volta perfeita e abóbada concheada, ladeado por pilastras caneladas sobre mísulas, que sustentam frontão triangular, de friso com inscrição alusiva a São Gelásio; é envolvido por amplas cartelas enroladas sobrepujadas por dois tritões, um deles cortado, e festões; as colunas dos extremos são coroadas por putti sobre animais fantásticos. O portal é ladeado por dois vãos rectangulares, desiguais, entaipados. Pelo interior, a antiga capela possui portal de verga recta, de moldura decorado por elementos fitomórficos, encimado por friso e frontão interrompido por elemento inindentificável. O espaço tem ainda silhar de azulejos monócromos azuis sobre fundo branco com composição ornamental seriada. |
Utilização Inicial
|
| Educativa: colégio universitário |
Utilização Actual
|
| Religiosa: igreja de confraria / irmandade / Cultural e recreativa: museu / Cultural e recreativa: arquivo / Educativa: faculdade / instituto superior |
Propriedade
|
| Privada: Misericórdia |
Afectação
|
| Sem afectação |
Época Construção
|
| Séc. 16 / 17 / 18 / 19 |
Arquitecto / Construtor / Autor
|
| ARQUITECTOS: Filipe Terzi; Pedro Nunes Tinoco; Luís Amoroso Lopes; António Madeira Portugal; Florindo Belo Marques. ENSAMBLADOR: Manuel Vieira. MESTRE DE OBRAS: Jerónimo Francisco. ORGANEIRO: Teodósio Hemberg (atr.); Georg Jann. PINTOR: André Gonçalves. |
Cronologia
|
| 1532 - O reformador hieronimita Frei Brás de Barros adquiriu uns terrenos que passaram a integrar a cerca do Mosteiro de Santa Cruz e onde, posteriormente, foi instaladaa cerca do Colégio da Sapiência; 1552, 9 Maio - alvará de D. João III, satisfazendo um pedido expresso dos Jesuítas, em que a fim de evitar a expansão para nascente dos Crúzios, proibia vender, aforar ou de qualquer forma ceder um trato de terreno à Porta Nova, que os Crúzios estavam a negociar para nele construir as suas casas; Julho - contrato de escambo entre a Câmara e o Mosteiro de Santa Cruz, em que este cedia àquela o domínio directo de duas casas na R. do Coruche e recebia em troca um pedaço de chão à Porta Nova, com seu muro e barbacã, e o domínio directo das torres e muros aforados ao licenciado João Vaz; 1572 - tendo perdido os seus colégios para a Companhia de Jesus, que os ocupou sob protecção real, foi decidido em Capítulo Geral dos Crúzios a aquisição de um local para a construção de um novo colégio; escolheu-se local sobranceiro ao Mosteiro de Santa Cruz, dentro da muralha, perto da torre de Santa Madalena ou Torre dos Sinos; na sequência, procedeu-se à compra de terrenos a Gonçalo de Resende, Simão Afonso, Doutor António Velho, D. Luísa Perestrelo, João de Ruão e o Prior do Ameal, Martins Domingos; 1578 - foi decidido instalar o novo colégio no Mosteiro de São Jorge, em Coimbra; 1590 - eleição de D. Acúrcio de Santo Agostinho para prior-geral da Ordem de Santa Cruz, o qual decidiu construir o novo colégio nos terrenos previamente adquiridos; escolha do arquitecto Filipe Terzi para delinear os planos gerais, ficando responsável pela obra e pela abertura dos alicerces o mestre Jerónimo Francisco; 1593 - D. Filipe II auturizou a construção; 30 Março - colocação e benção da primeira pedra por D. Afonso de Castelo Branco, estando presentes os cónegos da Sé, do Mosteiro de Santa Cruz, representantes dos colégios da cidade, o corregedor António Álvares Ferreira, o juíz de fora, licenciado Inácio Bandeira, e o Senado; durante a construção surgiram vários problemas: com o Cabido, devido à ocupação de parte da via que ligava a Porta Nova à Sé, levando o Cabido a embargar a obra e a reclamar que à freguesia fossem entregues bens de igual valor aos ocupados com as paredes do Colégio; a contenda foi solucionada com a cedência ao Cabido de uma propriedade na Beira, pertença dos Crúzios; o problema com a Câmara surgiu devido ao director das obras ter ordenado a desmontagem da muralha e aproveitamento dos seus materiais na construção; o Senado embargou a obra, mas pouco depois levantou-o; durante a construção do Colégio, demoliu-se o arco velho da Porta Nova e em substituição fez-se um arco de dupla volta, construindo-se em simultâneo um passadiço subterrâneo abobadado com escadas de pedra, de ligação ao Mosteiro de Santa Cruz, e que ficava sob as R. das Figueirinhas e Corpo de Deus; 1596 - data na cartela do arco central do claustro grande, indicando a sua conclusão; construção do claustro pequeno, talvez delineado por Pedro Nunes Tinoco, e da latada no segundo patamar da cerca; séc. 17 - aquisição de cruz em bronze dourado, de execução espanhola; feitura de duas tábuas para a Capela do Dormitório representando papas; 1604, Junho - o essencial da obra estava concluído, permitindo a instalação, ocorrido a 15 Julho, sendo o primeiro reitor D. Acúrcio de Santo Agostinho; poucos dias depois da inauguração, entaipou-se durante a noite o portal da portaria virada à R. de Sobre-Ripas, por ordem do Prior, para impedir o Bispo de aceder ao interior pela mesma e tentar exercer os seus direitos episcopais; o Colégio tinha uma outra portaria perto da Porta Nova; por ser o Colégio com regra de clausura mais rigorosa em Coimbra, passou a ser conhecido como Colégio Novo e, posteriormente, da Sapiência; 1605 - conflito na eleição do prior, por se ter nomeado D. Miguel dos Anjos Sá, cónego professo do Mosteiro de São Vicente de Fora, de Lisboa, eleição que depois de conhecida, os Crúzios anularam, fazendo uma nova em que se escolheu para Reitor o Padre Mestre Dom António das Chagas; como o Colégio da província não foi ouvido, a eleição foi considerada nula; fazendo-se de novo, confirmou-se D. António das Chagas como Reitor; 1630 - execução das coberturas da nave e capelas, bem como da sacristia, no lado S.; 1637 - igreja em condições de ser sagrada; 5 Maio - sagração da igreja, com missa cantada a órgão e sermão, luminárias e fogo de artifício; 1658 - feitura do arcaz pelo mestre ensamblador Manuel Vieira; séc. 18 - construção de uma capela na cerca e balaustrada que protegia o terceiro patamar; execução do retábulo da Capela do Dormitório; 1757 - data de cinco quadros de André Gonçalves existentes na sacristia; 1781 - o Colégio aforou parte da cerca do Colégio dos Jesuítas, pertença da Universidade; 1834 - destruição de um oratório-relicário, que existia no coro-alto; após a extinção das Ordens Religiosas, o Colégio foi incorporado na Fazenda Nacional; encarregou-se da guarda da igreja o ex-cónego D. António da Maternidade, dando-se-lhe parte do colégio para habitar; 15 Junho - inventário dos bens móveis e imóveis do Colégio; o edifício com igreja, coro, sacristia, claustros, dormitórios em dois andares, cozinha, refeitório, celeiro, adega e oficinas foi avaliado em 12 contos e a cerca em 200$000 rs; o baixo valor atribuído ao edifício devia-se ao tipo de construção, que não facilitava o arrendamento; posteriormente, parte do imóvel foi arrendado a estudantes e, no piso térreo e Sala dos Actos, instalou-se o Tribunal Judicial; 1835, 10 Janeiro - Câmara de Coimbra envia uma representação à Câmara dos Deputados pedindo que ao município fossem entregues alguns imóveis e a água que vinha da Fonte da Feira para o Colégio da Sapiência; 30 Maio - Câmara pede que aos imóveis anteriormente solicitados, acrescentasse, entre outros, o Colégio da Sapiência, para nele instalar a Misericórdia e a Casa dos Expostos; 1836, 27 Outubro - esquecendo-se que já anteriormente a Câmara tinha pedido e recebera o imóvel, a Rainha D. Maria despacha para serem entregues à Universidade os Colégios existentes na parte alta da cidade, "para alugar a pessoas idóneas, que se obrigassem a conservá-los em bom estado e que os destinem particularmente para habitação dos lentes, opositores, estudantes e demais pessoas ali empregadas; 1839, 22 Agosto - Mesa decide pedir ao Governo a doação do Colégio da Sapiência, para instalação dos seus Recolhimentos dos Órfãos e das Órfãs; 1840 - o Recolhimento feminino tinha então 20 órfãs e o masculino 30; 1841, 15 Setembro - Carta de Lei entregando à Câmara o edifício e cerca do extinto Colégio da Sapiência, a fim da Misericórdia ali instalar o Colégio dos Órfãos; feitura de seguro do mesmo no valor de 15.1000$000 rs na Agência de Fidelidade de Coimbra; Misericórdia despende 3.000$000 nas obras de adaptação, sendo encarregado das mesmas os Mesários o Bacharel António Joaquim de Oliveira, Mordomo do Recolhimento das Órfãs, e Manuel Inácio da Conceição, Mordomo do Recolhimento dos Órfãos; remodelação da fachada; 1842, cerca - os fundos da Misericórdia montavam a 322:008$086 rs, dos que estavam em giro, tinha de rendimento 10.277$498 rs e devia despender com as obrigações de todos os efeitos 10.624$251 rs; tinha de valor em prédios rústicos 6.320$000 rs e em urbanos 15.300$000 rs, entre os quais se contava o edifício da Misericórdia, o antigo Recolhimento das Órfãs, avaliado em 10.000$000 rs, e a antiga casa do Recolhimento dos Órfãos, avaliado em 4.000$000 rs; na botica havia o fundo de 5.523$850 rs; 19 Junho - sendo Provedor o Dr. António Honorato de Caria e Moura, Lente de Matemática, faz-se a transladação do Santíssimo Sacramento da Igreja da Misericórdia (v. 0603190008) para a do Colégio da Sapiência e a transferência dos Órfãos e Órfãs para o edifício, celebrada com missa cantada e procissão; a Irmandade da Misericórdia e parte da administração conservaram-se na Igreja de São Tiago; 1843, 2 Abril - transferência da capela e secretaria para o Colégio da Sapiência, sendo Provedor Vicente Ferrer Neto Paiva; 1848 - o organista, Lopes Macedo, recebia 1$200 rs mensais; 1854 - publicação do "Regulamento para o governo da Irmandade da Sancta Casa da Misericórdia da Cidade de Coimbra"; 1859 - reabertura da portaria do Colégio da Sapiência virada à R. de Sobre-Ripas, servindo de acesso à igreja, agora com culto público; construção da torre sineira sobre dois dos primitivos tramos do claustro pequeno; 1861, 27 Julho / 1862, 14 Julho, entre - administração do Provedor Dr. Francisco de Castro Freire, que procedeu às seguintes obras no Colégio: construção de uma enfermaria na parte do Recolhimento dos Ófãos, na extremidade do edifício do lado N. e sobre a casa que servia de celeiro no Colégio das Órfãs, a qual ficou por concluir devido à falta de verbas; tentou melhorar a ventilação do Colégio, mas não conseguiu concretizar o que pretendia: rasgar uma janela de grades que havia no topo do corredor e que dava para o largo da entrada do edifício, e abrir sobre a porta deste uma varanda; pretendia ainda fazer dormitórios demolindo as paredes divisórias dos quartos; no Recolhimento das Órfãs, com uma enfermaria no último andar numa das extremidades do edifício e a cozinha no rés-do-chão na extremidade oposta, o Provedor pensava que seria melhor transferir a cozinha para a casa que antigamente servia de celeiro e que ficava por baixo da enfermaria dos Órfãos; a despesa com os dois colégios em manutenção, vestuário, calçado, roupas e utensílios foi de 3.934$015 rs; 1863 - o mesmo Provedor manda restaurar o retábulo-mor e os dois laterais, com invocação de São Caetano e da Senhora da Misericórdia; abrir um camarim atrás da capela-mor, permitindo que o trono ficasse completamente fechado; e abrir porta no corredor para estabelecer comunicação independente à igreja; 1867, Julho - tendo-se danificado o órgão no transporte da antiga capela, procedeu-se ao seu conserto por 135$000 rs: aumentou-se a sua profundidade de 1,10 para 1,78 metros, sendo as portas da zona posterior adaptadas aos painéis das ilhargas, o ornato superior desapareceu e a consola do organiero passou para a zona posterior, devido à diminuição da altura do órgão; mudança do someiro e sistema de transmissão; 1885 - edição da Reforma de alguns artigos do Compromisso e do Regulamento; 1886 / 1889, entre - criação no Colégio das oficinas de encadernador, alfaiate e sapateiro; 1896, 3 Fevereiro - após a ordem de demolição da Capela de Nossa Senhora do Carmo, na R. das Figueirinhas, a imagem da Pietá foi transferida para a igreja do Colégio; 1917, Julho - Mesa queixa-se das gerências anteriores da Misericórdia lhe deixaram o défice de 10.453$67; 1917 / 1918 - despesas de 4.543$83 na alimentação dos órfãos e empregados internos, 735$26 no vestuário, roupa e calçado dos órfãos, 2.100$42 em remédios, água e lenha para o balneário e 4$73 em combustível; 1918 / 1919 - durante este ano económico gastou-se 235$07 em reparações indispensáveis do edifício, 15.300$00 na alimentação dos órfãos e empregados internos, 2.727$46 em vestuário, roupa e calçado dos órfãos, 206$96 em matrículas, livros e expediente para as aulas, 5.444$28 em remédios e 882$66 em combustível; 1919 / 1920 - dispêndio de 22.538$42 em alimentação, 538$45 em vestuário, roupa e calçado, 7.003 $00 em remédios, 501$15 em combustível, excedendo 31.569$94 aos cálculos previstos para este ano económico; 1920 - existiam apenas 2 oficinas no Colégio, a de sapateiro e a de alfaiate, onde se fazia o calçado e vestuário de todos os órfãos; decide-se empregar nestas oficinas os órfãos que mostrem habilidade e vontade de trabalhar, pagando-se-lhes o merecido, deduzindo as despesas de alimentação, vestuário e calçado durante o tempo em que se conservarem como internos além da idade regular de saída; resolve-se colocá-los no comércio e indústria logo depois de terem feito o exame de instrução primária, para mais facilmente serem entregues à família; aumenta-se a quota dos Irmãos aprovados para 12$000, e sendo casado ou vindo a casar para mais 12$000; estabelece-se que o valor de admissão de cada órfão não deveria ser inferior a 100$000 e que, dadas as condições financeiras da Misericórdia, só se poderiam admitir nos dois colégios 40 órfãos: 25 rapazes e 15 raparigas; a idade de admissão era dos 6 aos 8 e a saída normal aos 12, excepcionalmente aos 14, se não fizessem o seu exame de instrução primária ou não tivessem obtido colocação; a educação dos órfãos deveria consistir na instrução primária, música e canto, e instrução profissional nas oficinas para os rapazes e nos trabalhos de costura e outros próprios do sexo para as meninas; os que revelassem uma inteligência superior seriam admitidos em cursos secundários ou superiores, de modo a cumprir as disposições testamentárias de Martins Coimbra; decide-se reduzir o número de capelães de três para dois, sem diminuição do número de missas celebradas, e o porteiro do Colégio dos Órfãos passava a servir de sacristão e cuidasse do relógio da torre; o culto deveria decorrer sem exageros; 1965 - 1992 - Armando Carneiro da Silva organizou o Arquivo; 1967, 15 Janeiro - violento incêndio destrói grande parte do edifício do Colégio ocupado pelos órfãos, incluindo o dormitório sobre a igreja, dois altares, um de pedra e outro em talha, quadros, imagens, paramentos, móveis e algumas pratas; na sua sequência, os órfãos foram transferidos e foi elaborado e aprovado um projecto de adaptação do edifício para instalação do Instituto Superior do Serviço Social; 1968 - início das obras, que pouco depois foram suspensas; 1977, 10 Março - encontro entre o Presidente da Comissão Instaladora e o Governador Civil Substituto, Dr. José Manuel Pereira de Basto, levou a que se começasse a pensar instalar o Curso Superior de Psicologia no Colégio da Sapiência; seguiram-se várias reuniões na Santa Casa da Misericórdia, sendo então Provedor o Dr. Rocha Santos; o Director-Geral do Ensino Superior, Prof. Eduardo Marçal Grilo, recebe delegação constituída pelo Governador Civil Substituto, pelo Provedor da Misericórdia, por um representante da Junta Distrital (já então extinta), o Eng. José Teles de Oliveira, e pelo Presidente da Comissão Instaladora do Curso Superior de Psicologia; 1980 - visita do Ministro do Equipamento Social, Dr. Luís Barbosa, à Universidade; tendo sido informado do interesse da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação em ocupar o edifício do Colégio da Sapiência, concedeu as verbas necessárias para a continuação das obras de recuperação e de adaptação do mesmo; iniciam-se as obras para instalação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação; estas, estiveram a cargo da Direcção Regional dos Monumentos do Centro, sob a direcção do Arq. Luís Amoroso Lopes e Arq. António Madeira Portugal, sendo executadas pela Firma Fonseca e Irmão, Ldª, e custaram cerca de 80.000 contos; 1983 e 1985 - aquisição de mobiliário com verbas do PIDDAC, sendo o do Gabinete da Direcção e da Sala do Conselho projectado pelo Arq. Florindo Belo Marques e executado pela Firma Móveis Lucas; para estas duas salas adquiriram-se tapetes de Arraiolos; conclusão das obras, excepto no anfiteatro; 1985, 30 Março e 27 Junho - autorizada a celebração do contrato de arrendamento do edifício pela Misericórdia à Universidade, por Despacho do Ministro das Finanças e do Plano e por Despacho do Ministro da Educação, respectivamente; 19 Junho - contrato de arrendamento da cave, rés-do-chão, entrepiso, primeiro e segundo piso do Colégio, assinado pelo Vice-Reitor da Universidade, Prof. António V. B. Poiares Baptista, e pelo Provedor da Misericórdia Eng. Leopoldo da Cunha Matos e Mesários Eng. Sílvio Varandas Nunes e Armando Carneiro da Silva; arrendava-se pelo prazo de um ano, prorrogável por iguais períodos de tempo, com início no dia 1 de Julho de 1985 e pela verba de 600 contos mensais, anualmente actualizada nos termos do Decreto-Lei nº 330/81, de 4 Dezembro e dos diplomas legais que, no futuro, venham a regulamentar a actualização das rendas para fins não habitacionais; 1992 - Arquivo da Misericórdia recebe o nome "Sala Armando Carneiro da Silva"; 2000, 12 Setembro - abertura de espaço museológico da Misericórdia ao público, com a exposição comemorativa dos 500 anos da fundação da Misericórdia de Coimbra. |
Dados Técnicos
|
| Sistema estrutural de paredes portantes e estrutura mista. |
Materiais
|
| Estrutura de calcário e, em certas zonas reformuladas, em betão, rebocada e pintada de branco exterior e interiormente; cunhais, molduras dos vãos, algumas cornijas dos remates, pilastras e arcos, púlpitos, pia de água-benta, etc. em calcário; silhar de mármores e de azulejos; vãos com vidros simples ou coloridos a imitar vitral; grades de ferro; retábulos de talha policroma; portas de madeira e de vidro; caixilharias de madeira; pavimentos cerâmicos, em mármore em em madeira; coberturas interiores em estuque decorado, madeira ou abóbadas de tijolo; cobertura exterior de telha. |
Bibliografia
|
| SANTA MARIA, Nicolau, Crónica da Ordem dos Cónegos Regrantes, Lisboa, 1668; FREIRE, Provedor Dr. Francisco de Castro, Relatório da Administração da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra de 27 de Julho de 1861 a 14 de Julho de 1862, Coimbra, 1862; WATSON, William Crum, Portuguese Archicture, Londres, 1908; CORREIA, Virgílio, GONÇALVES, Nogueira, Inventário Artístico de Portugal, Cidade de Coimbra, Lisboa, 1947; GOMES, Joaquim Ferreira, O Edifício da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, in Revista Portuguesa de Psicologia, vol. XIX, Coimbra, 1985, p. 443 - 437; CORREIA, José Eduardo Horta, A Arquitectura - Maneirismo e "estilo chão", in História da Arte em Portugal, vol. 7, Lisboa, 1986, p. 93 - 135;HAUPT, Albrecht, A Arquitectura do Renascimento em Portugal, Lisboa, 1986; BORGES, Nelson Correia, Coimbra e Região, Lisboa, 1987; SILVA, A. Carneiro da, O Catálogo dos Provedores e Escrivães da Misericórdia, Coimbra, 1991; IDEM, A Criação e Levantamento do Colégio da Sapiência (vulgo Colégio Novo ou dos Órfãos), Coimbra, 1992; s.a., Remodelção dos Serviços da Misericórdia 1920, Coimbra 1993; CARDOSO, João José Ferreira da Silva, Santas e Casas. As Misericórdias do Baixo-Mondego e as suas igrejas nos séculos XVI e XVII (Dissertação de Mestrado em História da Arte do Renascimento e do Maneirismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), Coimbra, 1993 / 1995; SIMÕES, J. M. dos Santos, Azulejaria em Portugal no século XVII, tomo I e II, Lisboa, 1997; AAVV, 500 Anos das Misericórdias Portuguesas, Lisboa, 2000; ALEIXO, António, Misericórdia de Coimbra - Devoção e Arte, in Memórias da Misericórdia de Coimbra - Documentação & Arte. Catálogo, Coimbra, 2000, p. 107 - 133; LOPES, Maria Antónia, A Misericórdia de Coimbra e a sua Memória, in Memórias da Misericórdia de Coimbra - Documentação & Arte. Catálogo, Coimbra, 2000, p. 45 - 104; idem, A Governança da Misericórdia de Coimbra em finais do Antigo Regime, Sep. do XXII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social, Aveiro, 2002; FERRÃO, Pedro Miguel, Misericórdia de Coimbra - Devoção e Arte, in Memórias da Misericórdia de Coimbra - Documentação & Arte. Catálogo, Coimbra, 2000, p. 107 - 133; GUEDES, Natália Correia [coord.], Bandeiras das Misericórdias, Lisboa, 2002; PAIVA, José Pedro, Portugaliae Monumenta Misericordiarum, Lisboa, 2002; BORGES, Nelson Correia, Colégio de Santo Agostinho - Espaços Monástico-escolares, in Homenagem da Misercórdia de Coimbra a Armando carneiro da Silva (1912-1992), Coimbra, 2003, pp. 125 - 161; FONSECA, Fernando Taveira da, O órgão da Capela da Misericórdia de Coimbra - Alguns Apontamentos para a sua História, in Homenagem da Misericórida de Coimbra a Armando Carneiro da Silva (1912-1992), Coimbra, 2003, pp. 93 - 123; SANTOS, Maria José Azevedo, Sala Armando Carneiro da Silva - Notas para a História do Arquivo da Misericórdia de Coimbra, in Homenagem da Misericórida de Coimbra a Armando Carneiro da Silva (1912-1992), Coimbra, 2003, pp. 197 - 219; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70530 [consultado em 12 agosto 2016]. |
Documentação Gráfica
|
| IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC |
Documentação Fotográfica
|
| IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC |
Documentação Administrativa
|
| Santa Casa da Misericórdia de Coimbra (datas extremas da documentação 1500 - 1950); IAN/TT: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, Caixa 2208 |
Intervenção Realizada
|
| Proprietário: séc. 20, década de 50 - recuperação do órgão pelo franciscano Padre Serafim F. da Silva; DGEMN: 1965 - obras de conservação: reconstrução da cobertura do claustro; reparação geral dos pavimentos e tectos da galeria do claustro, novos rebocos das paredes e levantamento e reassentamento de azulejos na mesma zona; pintura das portas e janelas do claustro; 1967 - remoção dos entulhos provenientes do incêndio e cujo peso poderia afectar a resistência das abóbadas da igreja e claustro; 1968 - reconstrução do pavimento e cobertura do Colégio; estudo para instalação eléctrica na igreja; 1969 - reconstrução de pavimentos e coberturas no edifício do Colégio; 1972 - estudo gráfico de adaptação do antigo Colégio a Instituto Superior do Serviço Social, pelo Arq. Charters Monteiro; celebração de contrato com a equipa do Arq. Armando Tavares Alves Martins para elaboração e fornecimento de estudos técnicos necessários à execução da obra de adaptação; 1973 - apresentação do Programa Base para a mesma adaptação; instalação eléctrica, tomadas e de som na igreja; 1972 - 1973 - obras de adaptação a Instituto Superior de Serviço Social: reconstrução do claustro, consolidação de azulejos na sacristia, alteração do átrio, reconstrução geral de rebocos em todo o edifício, reformas nos pavimentos, tectos e caixilharias, pequenos arranjos na Igreja; 1981 / 1982 / 1983 / 1984 / 1985 / 1986 / 1987- recuperação do imóvel para instalação da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação; SCMC: 2001 - reforma total do órgão pelo organeiro Georg Jann, da Orguiand Ldª. |
Observações
|
| *1 - Os fundos para a construção do Colégio da Sapiência vieram do Mosteiro de São Pedro de Folques, junto a Arganil, São Salvador de Paderne, e, anualmente, Santa Cruz (170$000), São Vicente de Fora (50$000), Grijó (50$000), Serra do Pilar (25$000), Moreira da Maia (20$000), Landim (10$000), Refoios do Lima (130$000) e São Jorge de Coimbra (20$000). *2 - O claustro pequeno ficou incompleto, devido ao facto de ser necessário deixar liberto o acesso à Rua de Sub-Ripas, mas a regularidade do edifício permite definir que este formaria um ângulo recto com a fachada virada à R. do Colégio Novo. Os dormitórios eram constituídos por alas compridas com corredor central e celas individuais, distribuídas de ambos os lados, com duas janelas, uma de peitoril e pequeno postigo, ocupando o primeiro andar do corpo N. e os dois andares do a E., o primeiro com cerca de 50 celas e o do segundo piso, o denominado Dormitório Alto, com cerca de 14; cada cela tinha duas dependências, uma de estudo e outra para descanso corporal. O refeitório ficava no lado N., no piso térreo, com acesso pelo ângulo NE., através da Casa do Lavabo, que acedia à cozinha, à casa do forno e a um dos topos do refeitório, surgindo, no oposto, três janelas geminadas e óculo oval; possuía abóbada em arco abatido com caixotões e silhar de azulejos de padrão de molduras a azul e branco, com pequenas cabeças de anjos, que formavam o espaldar dos bancos corridos. A cozinha e a casa do forno, identificadas pelas chaminés, já desaparecidas, dava para um pequeno pátio junto à portaria, que servia para guardar lenha. A cave eram locais de armazenamento (celeiro e tulha), zona agora muito transformada. O claustro tinha 4 salas de aula, nas alas E. e O.. Para S., em frente da porta da Igreja, ficava a Sala dos Actos, abobadada, e a que correspondem três janelas da zona da fachada coroada por frontão, e contígua, a livraria, sala com 4 janelas. A principal portaria tinha capela e rodas de comunicação com o interior. A capela era rectangular com dois tramos, definidos por arco toral, com cobertura em falsa abóbada de berço de madeira, sendo forrada de azulejos azuis e brancos e retábulo em pedra, com pilastras coríntias e nicho que, em 1947, tinha imagem de madeira de Nossa Senhora do Rosário; rematava em tondo, com a "Assunção da Virgem", ladeada por "putti" e enrolamentos. No primeiro andar, por cima da portaria, ficava a Capela do Dormitório; tinha silhar de azulejos de albarradas e "putti" com cornocópias e tecto de madeira, ao centro com elevação piramidal com faces pintadas com elementos fitomórficos sobre friso pintado com anjinhos e figuras humanas; a N. tinha retábulo do séc. 18, de talha dourada e marmoreados, integrando tela da "Sagrada Família". O arco e passadiço de acesso à Cerca, no ângulo das fachadas E. e N., tinham as esculturas de Santo Agostinho, a S., e São Teotónio, a N., ambas transferidas para a fachada principal da Igreja de Penalva de Alva; a cerca tinha três terraços, o inferior com hortas e tanque de captação e reserva de água; o intermédio com latada sobre colunas dóricas, que conduzia a uma capela ou mirante, a qual tinha cobertura em telhado de três águas, tendo, sobre os cunhais, jarras bolbosas e remate da fachada principal em frontão com a escultura de Santo Agostinho; junto ao telhado desta, e já no terceiro patamar, balaustrada em pedra; no terceiro patamar surgia uma segunda capela. Em 1947, corria sobre as capelas laterais da nave um varandim, assente em mísulas de ferro, acedidas pelas tribunas. *3 - O Colégio da Sapiência é também designado dos Órfãos devido ao facto de ter acolhido os órfãos, do sexo masculino e feminino, dos Colégios da Misericórdia. *4 - A parte do Colégio actualmente arrendada à Faculdade de Psicologia possui a seguinte distribuição de serviços: no primeiro piso, o NEPSE (Núcleo de Estudantes de Psicologia e de Ciências da Educação), gabinete de consultas, sala polivalente e salas de aulas; no segundo piso, a recepção, informática, salas de aulas, biblioteca, bar, anfiteatro, SADI (Serviço de Apoio à Docência e Investigação), NEICC (Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitiva Comportamental); no terceiro piso, gabinete de docentes, NUSIAF (Núcleo de Seguimento Infantil e Familiar) e secretaria; no quarto piso, laboratório de psicologia experimental, NOEP (Núcleo de Orientação Escolar e Profissional), secretário da FPCE, salas de aulas, sala dos conselhos, conselho directivo, contabilidade e NUPTE (Núcleo de Psico-Pedagogia e Tecnologia Educativa); no quinto piso, NEFOG (Núcleo de Estudos e Informação em Organização e Gestão), NAPFA (Núcleo de Assistência Psicológica e Formação de Adultos), SAPDR (Serviço de Avaliação Psicológica Defectologia e Reabilitação), NDPCA (Núcleo de Desenvolvimento Psicológico da Criança e do Adolescente), gabinetes de docentes. |
Autor e Data
|
| Horácio Bonifácio 1991 / Paula Noé 2003 |
Actualização
|
| |
| |
| |
|
|
| |