Mosteiro de São Domingos de Coimbra / Igreja de São Domingos

IPA.00001606
Portugal, Coimbra, Coimbra, União das freguesias de Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu)
 
Mosteiro renascentista, de que subsiste a capela-mor da igreja, tendo cobertura abóbada de berço, em caixotões, ornamentados, semelhante à capela do tesoureiro (v. PT020603250022) que antes pertencia à igreja, como capela colateral do lado do Evangelho, actualmente no Museu Machado de Castro. Parte da decoração da capela é atribuída ao escultor João de Ruão, a abóbada com caixotões ornamentados e o arco assente em pilastras jónicas escalonadas.
Número IPA Antigo: PT020603170009
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Domingos - Dominicanos

Descrição

O edifício foi parcialmente demolido, construindo-se em seu lugar o Centro Comercial Sofia, no interior do qual apenas resta a Capela de Jesus, onde se localiza um restaurante, que mantém a estrutura das paredes e cobertura interior, com planta rectangular, paredes revestidas por silhares de cantaria, entrada em arco em volta perfeita, sobre pilastras jónicas escalonadas, cobertura de cantaria em abóbada assente em cornija, com quatro séries de caixotões ornamentados sugerindo chaves.

Acessos

Rua da Sofia

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, adossado pela fachada S. a construções ocupadas por estabelecimentos comerciais e por escritórios, confinante a N. com a Rua João de Ruão e a E. com Rua da Sofia (v.PT020603170003), confrontante com o colégio do Carmo (v. PT020603170026) e Igreja da Graça (v.PT02 0603170048)

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Comercial: loja

Propriedade

Privada

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: Isidoro Almeida (séc.16). ESCULTOR: João de Ruão (1564-1565).

Cronologia

1560, antes - inicia-se a construção da Igreja; 1564 - 1565 - João de Ruão constrói o púlpito para a igreja, o qual deveria ostentar os quatro Evangelistas; 1567, 07 novembro - celebra-se o contracto da construção da capela-mor entre o procurador dos dominicanos, frei Martinho de Ledesma, e D. João de Lencastre, 1º duque de Aveiro, devendo a capela obedecer à traça de Isidoro de Almeida (com abóbada de pedra lavrada), por encomenda expressa do duque *1; pretendendo o duque trasladar para aqui, do convento de Palmela, os restos mortais de seu pai D. Jorge de Lencastre, duque de Coimbra e 2º mestre das Ordens de São Tiago e de Avis, e de Setubal, o corpo de sua mãe, a duquesa D. Brites de Vilhena. Devendo ainda esta capela, vir a albergar os seus restos mortais, de sua mulher (D. Juliana de Lara, filha dos terceiros marqueses de Vila Real) e os dos seus herdeiros, com proibição de aqui enterrar outras pessoas. Fazendo uma oferta de 5 000 cruzados, mais uma renda anual de cem mil reais que advinha das igrejas de Santa Maria de Lamas, de Águeda, e de São Salvador de Covelos, da Trofa do Vouga, na altura anexas ao morgado da casa de Aveiro. O duque exigia que as suas armas fossem colocadas sobre o arco principal da capela (CRAVEIRO, 2002); 1647, 2 Dezembro - incendiou-se o retábulo da capela-mor; 1648 - é encomendado novo retábulo para a capela-mor, o douramento do retábulo ficou a cargo do pintor Luís Álvares; 1755, 01 novembro - com o terramoto, caiu parte da abóbada do cruzeiro; 1910, 23 junho - publicação da classificação do edifício como Monumento Nacional, pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo, n.º 136; 1940 - a demolição de um edifício para a abertura da rua João de Ruão, provoca o abatimento da abóbada da capela do tesoureiro que lhe estava adossada. Nesta altura o edifício era propriedade de Joaquim Simões Dias, e encontrava-se arrendado à firma Francisco de Oliveira Lda (Oliveiras de Águeda), que aqui mantinha a funcionar uma garagem de camionagem, oficinas ligeiras e escritórios da empresa; 1948 12 Abril - o Asilo da Mendicidade instalado no antigo colégio de São Pedro (v. PT020603170083), dirige um ofício à Direcção Monumentos Nacionais, pedindo autorização para colocação na frontaria da sua igreja de umas esculturas que pertenciam a um arco do topo esquerdo do transepto da extinta igreja de São Domingos o que veio a ser autorizado; 1953 - abertura de uma porta de acesso a R. João de Ruão; 1962, 13 Abril - a Junta da Educação Nacional - Direcção do Ensino Superior e Belas Artes, aprova parecer, autorizando a aquisição do edifício pela firma Francisco de Oliveira Lda; 1964, 7 Janeiro - ofício da Junta da Educação - Direcção do Ensino Superior e Belas Artes, autorizando a demolição da Capela do Tesoureiro e sua reconstrução, integrada na igreja a construir pelo Arcebispado de Coimbra, em Montes Claros, no sitio do antigo matadouro municipal*1; 1964, Outubro - demolição da capela do tesoureiro sendo as suas pedras transportadas para sitio do antigo matadouro municipal de Montes Claros; 1980/1981 - construção do centro comercial da Sofia, mantendo-se o que restava da capela de Jesus; 1983 - reposição no seu antigo local, da cruz que encimava a fachada voltada à Rua da Sofia; 2014, 02 junho - publicação da abertura do procedimento de descalssificação da capela do edifício, em Anúncio n.º 133/2014, DR, 2.ª série, n.º 105; 2015, 13 abril - declassificação da capela-mor do Mosteiro, publicado em DR, 2.ª série, n.º 71, Portaria n.º 207/2015.

Dados Técnicos

Materiais

Cantaria (silhares das paredes arco, pilastras e abóbada)

Bibliografia

CRAVEIRO, Maria de Lurdes, O renascimento em Coimbra, Modelos e Programas Arquitectónicos, vol. 1, dissertação de doutoramento, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2002; CORREIA, Vergilio, GONÇALVES, Nogueira, Inventário Artístico de Portugal, Cidade de Coimbra, vol. II, Lisboa, 1947; GONÇALVES, A. Nogueira,Estudos da História da Arte da Renascença, 2ª ed, Coimbra, 1984; GONÇALVES, Carla Alexandra - «A encomenda e o mecenato artístico quinhentista. O caso dos encargos escultóricos na cidade de Coimbra» in Invenire Revista de Bens Culturais da Igreja. Lisboa: Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, julho - dezembro 2013, n.º 7, pp. 6-13; SOUSA, Frei Luís de, História de S. Domingos, I parte, Lisboa, 1767; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/69811 [consultado em 12 agosto 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMC *2

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMC

Intervenção Realizada

Observações

*1 - Este terreno tinha sido cedido por escritura pública, à Diocese pela Câmara Municipal, para ali construir uma igreja em substituição da capela demolida no antigo bairro de D. Manuel de Bastos Pina. Com a demolição da Capela do Tesoureiro, pensou-se reconstrui-la nestes terreno pretendendo a diocese que nela se viesse a exercer o culto. A reconstrução nunca se concretizou, devido à falta de condições que ela viria a apresentar, uma vez que o proprietário se comprometeu a deixá-la apenas, tal como estava na altura da sua remoção do local original, o que não permitiria a prática do culto no seu interior, como pretendia a diocese. *2 - Os desenhos referentes à igreja encontram-se no processo da Capela do Tesoureiro (v. PT020603250022), podendo ser consultados no site da DGEMN.

Autor e Data

Horácio Bonifácio 1991 / Margarida Silva 2006

Actualização

 
 
 
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