Palacete da Rua da Mouraria, n.º 34 a 42

IPA.00015837
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (São Pedro)
 
Palacete urbano construído na primeira metade do séc. 19, integrado na tipologia madeirense da chamada "casa complexa" (MESTRE, 2002), com fachada principal de grande equilíbrio e regularidade de fenestração, seguindo uma linguagem neoclássica ou de persistência maneirista, que na ilha da Madeira se prolongou muito para além da sua cronologia normal. Apresenta planta retangular, possuindo torre na fachada posterior. Tem fachadas de dois pisos, o principal com trabalhos de massa no embasamento imitando cantaria, nos cunhais em alhetas e no remate em friso e cornija bastante saliente; vãos sobrepostos e interligados, de verga reta, moldurados a cantaria, tendo no primeiro portas e no segundo janelas de sacada encimadas por cornija, destacando-se a central com pequeno friso. Fachada posterior com fenestração muito mais simples, com janelas de peitoril no andar nobre, com os típicos tapa-sóis, integrando ampla varanda alpendrada, decorada com lambrequins, sobre o antigo jardim, possuindo adossado perpendicularmente corpo de serviços, onde se localizavam as cavalariças. Interior organizado em arcadas de alvenaria, das antigas lojas, com vestíbulo central, onde tem escada de acesso ao andar nobre, organizada com corredor de distribuição às salas, que conservam tetos de estuque. No antigo jardim existe fonte decorada de tufo vulcânico.
Número IPA Antigo: PT062203080157
 
Registo visualizado 35 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Planta rectangular integrando torre quadrada, tendo adossado perpendicularmente à fachada posterior corpo também rectangular, definindo antigo quintal e logradouro para S.. Volumes horizontais com coberturas em telhados dispostos em duas fiadas, articulados com torre de mais três pisos, de telha marselha, de folha na varanda sobre o antigo jardim e em eirado na torre. Fachada principal virada a N. com cunhais em alhetas relevadas de massa pintadas a cinza, embasamento também de massa imitando cantaria e remate do mesmo material, formando friso moldurado e cornija de grande balanço, sobre a qual assenta beiral simples em telha de canudo; três tubos de descarga dos algerozes, em folha de "flandres" são colocadas simetricamente ao longo da fachada, da cornija até ao primeiro piso. É rasgada por vãos sobrepostos e interligados, moldurados a cantaria aparente, tendo no primeiro seis portas e um janelão gradeado a ferro, com a segunda porta mais larga e correspondente a garagem, a central de acesso ao andar superior com moldura de filete exterior relevado e marcação do lintel, a articularem-se com as janelas de sacada do andar nobre, que lhes serve de balanço; estas têm verga recta, são encimadas por cornija, têm guardas de ferro forjado pintada a verde e portadas envidraçadas de madeira pintadas de branco. Fachada lateral O. quase cega, somente com uma fresta sensivelemente a meio e junto ao tubo de descarga do algeroz, que marca exteriormente a divisão das coberturas. Fachada posterior com um corpo a O. de piso térreo com uma porta e duas janelas, uma delas gradeada, e piso superior com cinco janelas com tapa-sóis de madeira fasquiada pintados a verde escuro, tudo com molduras de cantaria do Cabo Girão; corpo E. com balcão assente em arcada de alvenaria, corpo avançado a O., ao centro do conjunto, correspondente ao átrio superior da escadaria, sob o qual existe fonte com arco decorado e embrechados de tufo vulcânico, com alpendre assente em pilastras e arcos abatidos de madeira decorados pintadas a verde, varandim de grade de ferro corrida e com cobertura de folha ondulada igualmente pintada a verde, rematada por lambrequins entalhados, pintados da mesma cor. Interior com duas portas e duas janelas também com tapa-sóis. Corpo semi-perpendicular de dois pisos, sendo no térreo três arcos abatidos e no superior duas janelas e dois óculos redondos com molduras de cantaria aparente. Torre com fachadas a S. e a N. com uma janela por piso e a E. e O. com duas, todas com molduras de cantaria aparente, rematada por balaustrada de cimento pintado. No INTERIOR, piso térreo parcialmente em arcaria de alvenaria, corrrespondente às antigas lojas, com hall central e escada, de balaustrada de madeira torneada, de acesso ao andar nobre, que tem algumas salas decoradas a estuques.

Acessos

Funchal (São Pedro), Rua da Mouraria, n.º 34 a 42

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 803/2001, JORAM, 1.ª série, n.º 51, de 27 junho 2001

Enquadramento

Urbano, integrado num quarteirão do centro histórico de São Pedro e Santa Clara, com fachada principal para a estrada, de que se separa por passeio em calçada à portuguesa com elementos protectores. Confronta com o Palácio de São Pedro (v. PT062203080030) e as traseiras dão para antigo logradouro, com poço e fontanário de espaldar.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Comercial: loja

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 18 - referência à existência de prédios na área, de que ficaram elementos; 1841, 21 Março - escritura de confirmação de dívida e hipoteca deste prédio assinada por William A. Stuwart, britânico, casado, morador no Caminho do Monte, freguesia de Santa Luzia, na qualidade de um dos herdeiros de Guilherme Grant, casado, negociante, e também como administrador da Casa Grant; 1869, 16 Março - adenda à escritura anterior; 1910 - registo nº 926, a favor de António de Oliveira, como "Prédio urbano com dois pavimentos e torre, com quatro lojas, sete janelas com sacada de ferro viradas à Rua da Mouraria, varanda coberta de telha janelas para o lado de um pequeno quintal sem cultura, tendo unicamente algumas bananeiras e duas sucupiras, murado de pedra e cal, um poço com água nativa e dois pequenos poços de lavar roupa, cavalariças, galinheiro, escadas de pedra viva e cano onde passa a água da limpeza, que segue por debaixo da casa"; tinha os números de polícia 6, 7, 8, 9 e 10 e confrontava a S. com prédio de herdeiros de D. Alexandrina de Vasconcelos, Jacinto do Carmo Sá Pancher e Manuel Ferreira Pestana, e a O. com quintal dos herdeiros de Roberto Ferreira Pestana; pagava um foro anual de 4$800 réis à Confraria do Santíssimo da Colegiada de São Pedro e calculava-se o seu valor venal em 3:600$000 réis e o seu rendimento líquido anual em 180$000; 1917, 29 Dezembro - inscrição do prédio a favor de João Augusto Fernandes, casado, comerciante, residente à Rua das Mercês, que o adquirira por 10.000$00 a José Maria Ferreira, comerciante e mulher e demais herdeiros de António Oliveira, entretanto falecido; 1935 - instalação da sede da Cruz Vermelha Portuguesa, então presidida pelo coronel Eduardo dos Santos Pereira; 1938 - saída da sede da Cruz Vermelha; 1948 - instalação nos pisos virados à Rua da Mouraria do então Instituto Nacional do Trabalho; 1974 - cedência da parte posterior do edifício para instalação dos retornados das ex-colónias; 1976 - alteração da denominação do Instituto que passa a Tribunal de Trabalho, sendo primeiro juiz, o Dr. Morais Sarmento; 1977 - saída dos "retornados"; 1992 - incêndio provocado por curto-circuito que danifica a garagem e parte do arquivo do Tribunal; 1995 - transferência do Tribunal de Trabalho para o Edifício 2000, interrompendo 47 anos de funcionamento no palacete; 1995 - funcionamento numa das dependências do palacete do Departamento de Sanidade, da Extensão Agrária da Madeira; 1970 - saída do Departamento de Sanidade para outro edifício; 1976 - regresso do Departamento de sanidade ao palacete; 1990 - saída do Departamento de Sanidade; 1997, 10 Dezembro - doação do prédio pelo Dr. João de Lemos Gomes, viúvo, a seus herdeiros Maria Margarida, Maria da Graça, Fernando e João José Azevedo e Lemos Gomes; 1998 - venda do prédio e José Aires da Silva, comerciante, morador no Sítio da Quinta, Garajau, Caniço Santa Cruz, em representação, como sócio gerente, de "Aires & Filhos, Ldª", com sede à R. das Mercês, 16, Funchal.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira (carvalho, casquinha e outras), ferro, vidro, estuque, amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro e telha marselha e de meio canudo.

Bibliografia

Documentação Gráfica

Mapoteca do IGC (planta do Funchal de Reinaldo Oudinot, 1804), Lisboa; GR: Secretarias de Economia e do Equipamento Social, Funchal; DRAC

Documentação Fotográfica

DRAC

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietário: Obras de reabilitação geral.

Observações

Autor e Data

Rui Carita 2001

Actualização

 
 
 
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