Painel de Azulejo alusivo a Gil Pais

IPA.00010225
Portugal, Santarém, Torres Novas, União das freguesias de Torres Novas (Santa Maria, Salvador e Santiago)
 
Arquitectura comemorativa, memória, romântico. Painel figurativo de azulejos de grandes dimensões, com moldura de quadrifólios, prolongando-se lateramente num silhar baixo intercalado por pináculos, simulando uma longa balaustrada com pedras de armas de homens ilustres de Torres Novas, da vila e de Portugal.
Número IPA Antigo: PT031419130087
 
Registo visualizado 46 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Comemorativo      

Descrição

Painel azulejar rectangular de grandes dimensões (40x18 azulejos), com moldura polícroma de quadrifólios enquadrando uma cena figurativa em azul e branco, ladeado por silhar baixo e longo, polícromo, de 8 panos, sugerindo uma longa balaustrada decorada com quadrilóbulos (110x5 azulejos), intercalado a espaços regulares por 10 pedestais rematados por pináculos com cogulhos recortados (3x8 azulejos). No painel está representada a cena do cerco do castelo da vila pelas tropas castelhanas de Henrique II e a sua defesa corajosa pelo alcaide-mor Gil Pais, que se recusou a entregar o castelo em troca da vida do filho, preso pelos invasores. Na parte inferior do painel a legenda "Valeu mais a Gil Pais a obrigação da homenagem que a vida do filho. Ano de MCCCLXXIII". No canto inferior esquerdo a assinatura do artista, a data e o local de fabrico: "Jorge Colaço, 15 de Julho de 1938, Fábrica Lusitânia, Lisboa". Na face dos pedestais estão representadas as pedras de armas da vila, de Portugal e de famílias ilustres de Torres Novas: começando pelo lado esquerdo, a O., antecedendo o 1º pano do silhar, as armas dos Mogo de Melo Carrilho; entre o 1º e o 2º panos as armas dos Pimentel; entre o 2º e o 3º panos as armas dos Almeida; entre o 3º e o 4º panos as armas dos Lencastre; entre o 4º e o 5ª panos as armas dos Figueiredo e Silva; entre o 5º e o 6ª panos as armas dos Pimenta do Avelar; entre o 6º e o 7º panos as armas antigas da vila de Torres Novas; ladeando o painel, do lado esquerdo, as armas da vila de Torres Novas, usadas a partir de 1936; ladeando o painel do lado direito as armas de Portugal antes da reforma de D. João II; rematando o 8º e último pano do silhar as armas de Portugal depois da reforma de D. João II.

Acessos

Praça Cinco de Outubro

Protecção

Incluído na Zona de Protecção do Castelo de Torres Novas (V. PT031419130001) e da Igreja da Misericórdia (V. PT031419150006).

Enquadramento

Urbano, encosta, adossado. O painel, antecedido por alegrete com flores, está adossado ao muro de sustentação do terrapleno onde esteve implantada a demolida Igreja de Santa Maria, no local da muralha da antiga cerca da vila. O muro, caiado, é rematado por murete, percorrido horizontalmente por frisos azuis e intercalado por cruzes de Cristo, em massa, pintadas de azul. Domina, do lado N., a Praça Cinco de Outubro.

Descrição Complementar

Armas dos Mogo de Melo Carrilho - escudo esquartelado; no 1º e 4º as armas dos Melo (em campo vermelho 6 besantes de prata nos vãos de uma cruz dobre, bordadura de ouro); no 2º e 3º as armas dos Carrilho (em campo azul 5 flores de lis de ouro postas em sautor); elmo de prata aberto guarnecido de ouro; paquife dos metais e cores das armas; timbre dos Melos: águia negra estendida, armada e besantada de prata; por diferença uma brica azul com farpão de prata. Armas dos Pimentel - em campo verde 5 vieiras de prata postas em sautor; timbre - um touro vermelho armado de prata, com uma vieira do escudo na testa. Armas dos Almeida - em campo vermelho cruz de branco acompanhada de 5 besantes de ouro, bordadura de ouro; timbre - águia estendida de negro carregada de 9 besantes de ouro, 3 no peito e 3 em cada asa. Armas dos Lencastre - as armas de Portugal com filete de negro posto em contra-banda, atravessando tudo salvo o escudete do centro: de prata com 5 escudetes de azul postos em cruz, cada escudete carregado de 5 besantes de prata postos em sautor; bordadura de vermelho carregada de 7 castelos de ouro; timbre - pelicano de ouro ferido de vermelho no seu ninho. Armas dos Figueiredo e Silva - escudo partido em pala: 1ª - as armas dos Silva (em campo de prata um leão de púrpura armado de azul). 2ª - as armas dos Figueiredo (em campo vermelho 5 folhas de figueira perfiladas e nervadas de ouro, postas em sautor). Por diferença uma brica azul com farpão de prata; elmo - em prata aberto guarnecido de ouro; paquife dos metais e cores das armas; timbre dos Silva: o leão do escudo. Armas dos Pimenta do Avelar - escudo partido: 1ª - armas dos Pimenta (esquarteladas: 1 e 4 - contrafaixado de 5 peças em prata e vermelho; 2 e 3 - em azul com 3 vieiras de ouro) 2ª - armas dos Avelar (de ouro com 3 faixas de vermelho, cada faixa carregada com 3 estrêlas de prata); timbre - homem saínte vestido de azul com bastão de ouro na mão direita; elmo - de prata aberto de ouro. Armas antigas da vila - em campo vermelho uma torre de prata sobre um monte de sua cor, lavrada de preto com porta e frestas e sobre as ameias um braço armado com uma maça de armas de sua cor na mão que sai de dentro da torre; armas modernas da vila - de vermelho, com um castelo de ouro aberto e iluminado de verde, assente num terrado de sua cor, cortado por três faixas ondadas, duas de prata e uma de azul; a torre central, rematada por braço armado de prata empunhando uma maça de armas de ouro.

Utilização Inicial

Comemorativa

Utilização Actual

Comemorativa

Propriedade

Pública: Municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR: Jorge Colaço

Cronologia

1933 - Artur Gonçalves, na entrada sobre Gil Pais na sua obra "Torrejanos ilustres", critica a inexistência de qualquer referência toponímica em Torres Novas ao heróico alcaide-mor; 1938, 15 de Julho - realização do painel por Jorge Colaço, na Fábrica Lusitânia; 1939, 7 de Maio - inauguração do painel, com a presença do artista.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante

Materiais

Cerâmica de fundo estanífero branco pintada de óxidos metálicos.

Bibliografia

GONÇALVES, Artur, Memórias de Torres Novas, Torres Novas, 1937; Torrejanos ilustres, Torres Novas, 1933; ALVES, Pe. Augusto Durão, Torres Novas ontem e hoje, Braga, 1942; MOLEIRO, Margarida, O Painel de Gil Pais: estudo iconográfico e iconológico, in Nova Augusta, nº. 16, Torres Novas, 2004

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

CMTN: Arquivo Histórico Municipal

Intervenção Realizada

Observações

Referido no Plano Geral de Urbanização. Na escolha das famílias ilustres de Torres Novas e na representação heráldica das mesmas Jorge Colaço seguiu certamente as indicações do ilustre historiador local Artur Gonçalves. Da maior parte dessas famílias restam ainda os respectivos solares, alguns já muito adulterados. Antão de Mogo de Melo Carrilho faleceu em 1592 e foi sepultado na capela do Senhor Jesus dos Lavradores na igreja de Santiago de Torres Novas; o seu solar é conhecido como Casa do Mogo (v. PT031419120008); D. João Rodrigues Pimentel, instituidor do vínculo dos Pimentéis, foi sepultado em 1375 na igreja de São Pedro de Torres Novas, onde permanece ainda a sua caixa tumular com pedra de armas (v. PT031419150052); o palácio desta família situava-se ao lado da igreja de São Pedro, tendo sido substituído por edifício oitocentista; D. Diogo Fernandes de Almeida, prior do Crato, monteiro-mor de D. João II e alcaide-mor de Torres Novas, faleceu em 1508 e está sepultado na igreja de Nossa Senhora da Flor da Rosa, no Crato; o seu solar em Torres Novas passou à casa de Aveiro por compra de D. Jaime de Lencastre; D. João de Lencastre foi o 1º duque de Aveiro, filho de D. Jorge de Lencastre, filho bastardo de D. João II; D. Jaime de Lencastre, 5º filho de D. Jorge, foi bispo de Ceuta, capelão-mor da raínha D. Catarina e prior das 4 freguesias de Torres Novas; o seu solar, muito adulterado, é hoje conhecido como Edifício do Paço (v. PT031419140054); António Pedro de Figueiredo e Silva, capitão-mor de Torres Novas, faleceu em 1795 e foi sepultado na igreja de Santa Maria do Largo da Ponte do Ral (v. PT031419150086). A pedra de armas da vila foi alterada em 1936 pela Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos (Afonso de Dornellas), a pedido da Câmara Municipal de Torres Novas, com base em pedras de armas medievais de 2 dos arcos da cerca da vila e num antigo selo da vila, em documento datado de 1263 (Gonçalves: 1937).

Autor e Data

Isabel Mendonça 2001

Actualização

 
 
 
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