Igreja Paroquial de Vale da Pinta / Igreja de São Bartolomeu

IPA.00010146
Portugal, Santarém, Cartaxo, União das freguesias de Cartaxo e Vale da Pinta
 
Arquitectura religiosa, manuelina, popular. Igreja paroquial de fachada de empena angular, com torre sineira adossada; planta em cruz latina; tecto em madeira sobre a nave, cruzeiro e braços do transepto com abóbadas de cruzaria de ogivas; abóbada de berço redondo na capela-mor. A abóbada do transepto e as molduras facetadas das portas da nave e do braço S. do transepto são características de um persistente gosto manuelino.
Número IPA Antigo: PT031406060016
 
Registo visualizado 406 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta em cruz latina a que se adossam anexos a N. e a S.. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhado de 2 águas (nave e capela-mor) em coruchéu (torre sineira). Fachada principal orientada, de pano único ladeado por cunhais almofadados, com remate em frontão triangular; cruz no vértice da empena, urnas sobre os cunhais; portal moldurado rectangular, janela estreita de verga recta interrompendo o frontão; torre sineira adossada a S., de 3 pisos escalonados, rasgada por ventanas de verga semicircular, com urnas no topo dos cunhais. Na fachada N. os volumes da nave e do anexo com remate em beirado; 2 portas de verga recta com molduras facetadas rasgam a parede da nave e do transepto. A fachada S. com remate em beirado, é rasgada por 3 portas e pequenas frestas. Fachada posterior cega, alargando-se em 3 panos intercalados por pilastras, sendo o central rematado por empena angular; uma cruz no vértice da empena, urnas sobre as pilastras. INTERIOR: nave única com tecto em madeira, de 3 planos; coro alto em madeira, antecedido por balaustrada e apoiado sobre guarda-vento; um silhar de azulejos de estampilha recente reveste as paredes da nave; na capela baptismal, sob a torre sineira, pia monolítica; púlpito em madeira no alçado da nave do lado do Evangelho; 2 retábulos em madeira policromada e dourada nos 2 alçados da nave, face a face, inscritos em arcos; no altar do lado do Evangelho uma maquineta inscrita no nicho central; arco triunfal semicircular apoiado em pilastras; cruzeiro e braços do transepto com abóbada de cruzaria, com fechos com a cruz de Cristo; capela-mor com abóbada de berço, estucada e pintada, centrada por custódia em estuque com relíquia do Santo Lenho; retábulo rasgado por tribuna com trono escalonado; do lado do Evangelho uma tribuna antecedida por balaustrada, que hoje dá acesso a uma zona de arrumos; do lado oposto a sacristia.

Acessos

Largo da Igreja, em Vale da Pinta

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, meia encosta, destacado. Implantação harmónica na extremidade S. da povoação, no meio de um adro arborizado rodeado por habitações de um e 2 pisos. A N. da igreja o edifício recente da Junta de Freguesia (no local do antigo edifício da Escola Primária).

Descrição Complementar

Na igreja existem algumas imagens dignas de referência: a imagem de roca de Nossa Senhora da Graça, no altar do lado do Evangelho; a imagem do Menino Deus numa peanha junto ao arco triunfal; as imagens em pedra, quinhentistas, de Santa Catarina e São Bartolomeu, em peanhas na capela-mor. De referir ainda um crucifixo em marfim indo-português e uma cruz processional gótica, em bronze, presentemente no altar-mor. Na sacristia guarda-se ainda a parte superior de uma imagem em pedra calcária representando uma figura de homem segurando uma cabeça degolada, normalmente referida como São Bartolomeu (encontrada num poço e oferecida pelo embaixador Teixeira de Sampaio); uma pia de pedra com uma enigmática inscrição gravada (O / RAEIV) e um mascarão relevado, que serve de base a um marco, ambos em pedra. Dos 4 sinos iniciais restam 3: um grande com a inscrição - PANEM ANGELORUM MANDUCAVIT HOMO FEITO POR ANTÓNIO FERNANDES AMADEO EM 1886; os outros 2, iguais, com a inscrição: LUIZ RODRIGUES BELLAS LISBOA 1890.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Santarém)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 18 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

1320 / 1321 - a primitiva igreja é mencionada na relação das igrejas pertencentes à Ordem de Cristo; 1527 - o prior da freguesia, Luís Gonçalves de Proença, perante o estado de ruína em que se achava a igreja de Vale da Pinta, pediu a D. João III a concessão da terça para ser aplicada na sua reconstrução; 1528 - início das obras; 1529, 12 Dez. - Cópia do alvará acerca das obras da igreja; séc. 17 / 18 - construção da nave, capela-mor e anexos; 1758 - a igreja, além do altar da capela-mor dedicado a São Bartolomeu, tinha 2 altares na nave dedicados a Nossa Senhora da Graça e ao Menino Deus; 1886 - construção da torre sineira devida a um grupo de habitantes da terra.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes (nave) e estrutura mista (transepto e capela-mor)

Materiais

Estrutura em alvenaria mista de pedra e tijolo rebocada e caiada, com rodapés, pilastras, sancas e molduras em azul; molduras de vãos em cantaria; caixilhos e portadas em madeira; pavimentos em tijoleira e cantaria; tecto da nave em madeira.

Bibliografia

Memórias Paroquiais, A.N.T.T., Vol. 38, nº 53, pp. 281-282; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Santarém, Lisboa, 1949; Tesouros Artísticos de Portugal, (dir. de ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de), Lisboa, 1976; HEITOR, Rogério Melo, Vale da Pinta ... Aqui nasceu Portugal!, in O Povo do Cartaxo, Cartaxo, 17 de Agosto de 1989; Vale da Pinta - Subsídios para a sua Monografia, Vale da Pinta, s.d..

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IAN/TT: Corpo Cronológico, Parte I, maço 44, doc. 38.

Intervenção Realizada

Observações

*1. A povoação de Vale da Pinta foi terra realenga, tendo sido objecto de várias doações régias, normalmente aos donatários do Cartaxo; em 1521 D. João III fez doação do Reguengo do Cartaxo e seu termo e dos direitos de Vale da Pinta a D. Garcia de Noronha; em 1534 D. João III deu por solar ao desembargador da Casa da Suplicação, Dr. Cristóvão Esteves da Espargosa, a sua quinta de Vale da Pinta da Espargosa; no ano anterior tinha-lhe dado carta de nobreza; da sua presença subsiste o topónimo, no " lugar do desembargador"; Cristóvão Esteves da Espargosa fora compilador das Ordenações no tempo de D. Manuel. *2. A igreja foi sempre do padroado real; entre os seus priores conta-se o Dr. Julião Camelo de Almeida (1599-1640), proprietário da Quinta de Santa Cruz, e instituidor de uma capela na igreja paroquial. *3. Nas imediações da igreja existe um poço coberto por cúpula, antecedido por bebedouro em pedra para animais, conhecido como "Poço de São Bartolomeu". Construção medieval, a ela está associada a lenda que refere ter D. Afonso Henriques dado de beber ao seu cavalo, a caminho da Batalha de Ourique (que se terá realizado no local onde hoje se encontra Vila Chã de Ourique).

Autor e Data

Isabel Mendonça 2001

Actualização

 
 
 
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