Solar da Quinta da Parreira

IPA.00010143
Portugal, Santarém, Ourém, Nossa Senhora das Misericórdias
 
Arquitectura residencial, barroca. Solar rural com capela, integrado em conjunto edificado em redor de um pátio quadrangular. O corpo principal da casa é antecedido por ampla varanda alpendrada, aberta para o pátio. A ala da casa virada para S. é preenchida por uma outra varanda alpendrada rasgada no piso superior, disfrutando de uma bela vista sobre os campos vizinhos; o piso térreo é rasgado por arcada. No solar distinguiam-se inicialmente zonas com funções distintas: serviços no piso térreo, espaço reservado a habitação no piso superior; em redor edifícios com funções agrícolas. Linguagem ornamental barroca presente no recorte das janelas de peito viradas para o pátio e na decoração da capela. Decoração da capela de grande qualidade, conjugando de forma harmónica o azulejo e a talha dourada; notável colecção de figuras de convite, representando não só os tradicionais alabardeiros, como também um casal de figuras em traje de corte.
Número IPA Antigo: PT031421110011
 
Registo visualizado 61 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo planta quadrangular com pátio central

Descrição

Planta composta por 4 corpos rectangulares em redor de um pátio. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhado. Fachada principal virada a NE. de pano único rematado por beirado e enquadrado por cunhais com urnas, adaptado ao declive do terreno, erguendo-se, do lado esquerdo, num piso vazado por portal* antecedido por rampa e escada com pedra de armas no tímpano, do lado direito, em 2 pisos, o inferior rasgado por porta e 3 frestas, o superior por 4 janelas de guilhotina e uma fresta. Fachada virada a NO. de um pano rematado por cimalha moldurada com o mesmo enquadramento, 2 pisos, o inferior vazado por 7 janelas com grades de baloiço e uma porta na extremidade O., o superior simetricamente vazado por 6 janelas de guilhotina e 2 portas-janelas* nas extremidades. Na fachada SO. assinala-se uma ampla varanda adossada igualmente ponteada por urnas sobre os cunhais, com alpendre apoiado em pilares no piso superior, um arco rebaixado rasgado na face lateral S. do piso térreo. Fachada SE. composta pelos volumes escalonados da casa do caseiro assimetricamente vazados. O portal dá acesso ao amplo pátio empedrado para o qual deitam as fachadas das 4 alas de um piso rematadas por beirados: a ala virada a SO. com pórtico rasgado por tripla arcada apoiada em pilares (um arco central em asa de cesto, os arcos laterais semicirculares) e 3 portas com sobrevergas em arco contracurvado; a ala virada a SE. rasgada por ampla varanda arquitravada com pilares assentes em murete, antecedida por escada; uma sineira sobre o beirado assinala a presença da capela, com portal* aberto para a varanda; na parede da casa, preenchendo os vãos entre as 3 portas com lintéis arquitravados, silhares de azulejos de figura avulsa, azuis e brancos, intercalados por 6 figuras de convite recortadas, representando alabardeiros, alguns com traços caricaturais; a ala virada a NE. é rasgada por 5 janelas de peito, com sobrevergas contracurvadas*; na ala virada a NO. 4 portas, as das extremidades antecedidas de degraus. INTERIOR: assinalam-se várias divisões intercomunicantes, abertas para a fachada NO; no átrio, com acesso pela varanda alpendrada do pátio, um silhar de azulejos com albarradas em azul e branco com 2 figuras de convite recortadas, face a face, representando uma dama e um cavalheiro em traje de corte; na sala à direita do átrio (com ligação por tribuna para a capela) um silhar de azulejos de albarradas. A capela, da invocação de Nossa Senhora e São José, de planta rectangular e reduzidas dimensões, é decorada por silhares de azulejos recortados, em azul e branco, com cenas representando eremitas, integráveis no período da "grande produção joanina"; no altar um retábulo joanino*; tribuna rasgada no alçado lateral do lado do Evangelho, comunicando com a sala lateral; em frente, a sacristia forrada por silhar de azulejos de figura avulsa, azuis e brancos, com um pequeno altar em talha dourada, com nicho central.

Acessos

Na EN 356, no sentido Vila Nova de Ourém / Fátima, virar à esquerda pela R. dos Namorados, na direcção da Beltroa, depois à direita, na direcção da Mão Morta, até ao final da estrada alcatroada.

Protecção

Em estudo

Enquadramento

Rural, meia encosta, isolado. O solar e a capela integram-se num conjunto construído em redor de um pátio quadrangular, adaptado ao desnível pronunciado do terreno. Antecedem o solar (do lado S. e E.) vários edifícios com funções agrícolas. A N. e a O. o solar é rodeado por jardim e mata frondosa na plataforma e encosta, por campos de cultivo na várzea.

Descrição Complementar

*Portal principal: com frontão angular centrado por cruz, mostra a pedra de armas dos Faria ladeada por volutas acantiformes, e sustentada por meninos: em campo vermelho um castelo de prata entre 5 flores de liz de prata; elmo de prata aberto guarnecido de ouro. *Portas-janelas da fachada NO: de verga recta têm frontões triangulares interrompidos, anteparas de colunelos anelados em ferro. *Janelas de peito do pátio: de verga em arco segmentar, mostram molduras mistilíneas, brincos nas jambas e uma palmeta no tímpano; sobreverga contracurvada, avental em cantaria lisa. *Portal da capela: de vão rectangular mostra frontão de volutas centrado por cruz e ladeado por urnas. *Retábulo do altar-mor: de planta recta, mostra 3 tramos intercalados por colunas torsas com grinaldas no cavado; nicho central e peanhas com dosséis nos panos laterais, enquadrando as imagens de vulto de Nossa Senhora e São José, os padroeiros da capela.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 (conjectural) / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Carlos Manuel Pereira (séc. 20). ARQUITECTO PAISAGISTA: Gonçalo Ribeiro Telles (1970).

Cronologia

Séc. 18, 1ª metade - data provável de construção do solar patrocinada pela família Faria Pereira, de Ourém; 1758 - o solar pertencia a Filipe Carneiro de Faria Pereira Manso, capitão-mor de Ourém; 1886 - a quinta estava na posse de Miguel de Canto e Castro, que a recebera de sua mãe, D. Isabel da Silva Ataíde, de Leiria; 1968 - compra do solar pelos actuais proprietários, seguida de restauro pelo arquitecto Carlos Manuel Pereira; 1970 - projecto de Arquitectura Paisagista do jardim pelo arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles e posterior execução; 1998 - aquisição da quinta e dos edifícios com funções agrícolas.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra rebocada e pintada; molduras de vãos e colunas em cantaria; caixilhos e portadas em madeira; pavimentos em madeira, tijoleira e cantaria; azulejos em revestimentos murários; tectos em madeira e estuque.

Bibliografia

A.N.T.T., Memórias Paroquiais, Vol. 26, nº 51, fl. 395; LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, vol. XI, Lisboa, 1886; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Santarém, Lisboa, 1949; Tesouros Artísticos de Portugal, (dir. de ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de), Lisboa, 1976; SIMÕES, João Manuel dos Santos, Azulejaria em Portugal no século XVIII, Lisboa, 1979.; CARAPINHA, Aurora e TEIXEIRA , J. Monterroso, A Utopia com os Pés na Terra. Gonçalo Ribeiro Telles, Lisboa, 2003, pp269.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; Arquivo pessoal de Gonçalo Ribeiro Telles

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

A família Faria Pereira foi também proprietária do solar da Quinta do Caneiro, no mesmo concelho de Ourém (v. PT031421110012), associando-se ainda, por casamento, a um 3º solar no vizinho concelho de Torres Novas, na Quinta dos Vargos (v. PT03141419070014).

Autor e Data

Isabel Mendonça 2001

Actualização

Teresa Camara 2005
 
 
 
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