Edifício na Rua 1.º de Maio, n.º 15

IPA.00010085
Portugal, Faro, Tavira, União das freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago)
 
Casa Arte Nova de dois pisos e fachada principal urbana, integrando elementos decorativos Arte Nova e novidades ao nível das tecnicas de construção (como o betão e aço), com uma estrutura nobre, tradicional, característica do tipo de construção apalaçada em meio urbano dos séculos 18 e 19, de que são exemplo as balaustradas, janelas de sacada, platibanda. Por contraste o interior é bastante sóbrio apenas animado por alguns elementos decorativos em particular ao nível das janelas. O dinamismo da fachada exterior obtido através das formas e dos materiais utilizados. Constitui uma das casas mais originais deTavira.
Número IPA Antigo: PT050814060046
 
Registo visualizado 95 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa    

Descrição

Planta longitudinal composta por dois corpos rectangulares irregulares justapostos coincidindo a divisão exterior com a interior. Volumes articulados caracterizados pela verticalidade, com cobertura diferenciada em telhado de quatro águas no corpo principal e de uma água e terraço no corpo posterior. Fachada principal a S. com embasamento homogéneo de cantaria, a dois registos simetricamente divididos em três corpos; primeiro registo com porta principal ao centro, de arco abatido e molduras em cantaria com pequena cornija superior, protótipo para a quase generalidade dos vãos de portas e janelas exteriores do edifício, ladeada por duas janelas; o segundo registo separa-se do primeiro através de uma varanda assente numa cachorrada de quatro modilhões colocados nas extremidades da varanda e no eixo da separação em corpos; a varanda segue a divisão tripartida da fachada, com as grelhas dos corpos laterais de moldura rectangular e a do corpo central ligeiramente ondulada e mais espaçosa; decoração das grelhas em ferro, desenhando um rendilhado de volutas e contra volutas a partir de um medalhão central mais desenvolvido e inseridas num esquema tripartido horizontalmente; acessos à varanda igualmente tripartidos, com uma porta no corpo central de maiores dimensões que as restantes, com arco quebrado e moldura em cantaria bem vincada nas arestas, chave do arco e impostas; as janelas laterais seguem o modelo dos vãos do primeiro registo; a partir dos modilhões que delimitam o corpo central da varanda, dois finos colunelos com capitéis vegetalistas suportam um balcão avançado em relação à fachada que coroa todo o corpo central, composto por uma banda de azulejos polícromos desenhando flores alternando com pequenos círculos de decoração radial, cornija e frontão curvo em forma de cartela delimitado por métopas, onde se figurou um enorme motivo floral inserido numa rede de losangos irregulares; os corpos laterais seguem um esquema de coroamento mais simples, em que à banda de azulejos polícromos e à cornija se sobrepõe uma balaustrada a toda a largura da fachada. Fachada lateral O., igualmente a dois registos, composta por dois corpos distintos: corpo S. semelhante à organização dos corpos laterais da fachada principal, com uma janela no primeiro registo, separação de registos por meio de uma cornija, janela no segundo registo com uma pequena varanda de grelha rectangular idêntica às suas congéneres da fachada principal e coroamento com banda de azulejos, cornija e balaustrada corrida a toda a largura deste corpo; apesar de corresponder a um corpo lateral da fachada principal, houve a preocupação em dotar esta fachada de uma organização tripartida, estando a banda de azulejos e a balaustrada divididas em três corpos por meio de falsas mísulas e métopas respectivamente; corpo lateral N. retraído em relação ao prolongamento do corpo S. que tendia para a definição quadrangular do edifício, definindo um pequeno pátio, e substancialmente distinto do resto dos corpos que compõem as fachadas exteriores do imóvel: divisão em dois registos, sendo o primeiro composto por duas janelas de arco recto com vitrais quadrados azuis incrustados nos vidros e uma porta igualmente de arco recto no extremo S. deste corpo; segundo registo separa-se do primeiro através de uma falsa balaustrada apenas sugerida pelo jogo de cores e integralmente composto por quatro janelas com pequenos vitrais azuis e vermelhos incrustados na moldura dos vidros; o corpo termina em empena triangular definido inferiormente por uma banda de azulejos polícromos desenhando elementos circulares de cores e formas alternadas, e gelosia em forma de losango no tímpano. Fachada lateral N. adossada. Fachada lateral E. parcialmente adossada no corpo rectangular principal, abrindo o corpo secundário para um pequeno quintal murado ainda com uma janela no primeiro registo e duas janelas no segundo registo, todas de feição rectangular e bastante mais modestas que as que vemos nos alçados exteriores; sensivelmente a meio do edifício e avançada em relação à fachada, ergue-se a chaminé. INTERIOR: espaços diferenciados em várias dependências com a marcação dos dois rectângulos irregulares justapostos que compõem o imóvel. Primeiro piso: a partir da porta principal do edifíco acede-se a um pequeno átrio que por sua vez comunica a O. com a Sala de Visitas, a E. com a Sala de Jantar, ambas dependências rectangulares de chão em madeira e tecto em caixotão único de madeira com motivo decorativo geométrico ao centro, e a N. com a escadaria de acesso ao segundo piso; dependências posteriores com acesso apenas a partir das duas Salas, com comunicação imediatamente a seguir à escadaria, abrindo para um corredor transversal que estabelece a ligação com os restantes espaços deste piso; a O. a segunda entrada no edifício, a N. um Quarto, a E. a Cozinha e o WC; a partir da Cozinha acede-se ao pequeno quintal através de uma porta de arco recto; escadaria de acesso ao segundo piso com degraus em madeira e corrimão de ferro ondulado. Segundo piso igualmente com a marcação dos dois rectângulos irregulares justapostos, abrindo para um pequeno Vestíbulo a O., que por sua vez comunica com um Quarto, e para uma Sala a E.; no espaço definido pela escadaria e separando-a do acesso à varanda pelo corpo central, existe um guardavento de três volantes de madeira com vitrais multiculores incrustados; dependências a N. com acesso directamente a partir da escadaria, com um vestíbulo, uma Cozinha e um Quarto no extremo NE. que comunicam com o terraço; a O., um Quarto com as quatro janelas com vitrais incrustados, detém a melhor iluminação de todas as dependências do imóvel; no extremo N. um pequeno corredor dá acesso ao Sótão através de uma escada de madeira, espaço que ocupa a parte O. do rectângulo N. e todo o rectâgulo S. do edifício.#

Acessos

Rua 1.º de Maio, n.º 15; Largo Tomáz Cabreira (acesso lateral O.)

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, planície, adossado. Edifício de grande impacto urbanístico na zona SE. da cidade, quase exclusivamente composta por edifícios de um ou dois pisos. Fachada principal virada a S. para uma das artérias mais amplas desta parte da cidade, beneficiando ainda da fachada lateral O. abrir para o Largo Tomás Cabreira. Fachadas laterais E. e N. adossadas.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Capitão José Inácio da Conceição

Cronologia

1930, c. de - construção do imóvel pelo Capitão José Ignácio da Conceição; um primeiro projecto foi apresentado ao executivo camarário, em data incerta, no qual a fachada principal era muito mais conservadora e praticamente destituída de elementos Arte Nova *1; Séc. 20, década de 70 - obras de adaptação a casa multifamiliar; 1980 - morte do proprietário, José Inácio da Conceição, sem deixar herdeiros, sendo o imóvel adquirido por um privado; 2000 - proposta de classificação pela Câmara Municipal de Tavira; 2000, 06 novembro - Despacho de abertura do processo de classificação pelo Vice-Presidente do IPPAR; 2007, 20 novembro - Proposta de encerramento da classificação pela DRCAlgarve; 2008, 30 setembro - Despacho de encerramento da classificação pelo Diretor do IGESPAR.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria mista, ferro forjado, madeira, vidro simples, vitral, alumínio, alcatifa.

Bibliografia

GOLD, Volker, HAMOND-NORDEN, Henning, Tavira, Landsberg am Lech, Edition Luso-Licca, 1999; SANTANA, Daniel, Elementos para a abertura do processo de classificação do edifício "Arte Nova" da rua 1º de Maio (Tavira), Tavira, Câmara Municipal de Tavira - GTL, 2000 ( texto policopiado ).

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; Proprietário; CMTavira; IPPAR

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; Proprietário; CMTavira; IPPAR

Documentação Administrativa

CMTavira

Intervenção Realizada

Proprietário: 1970, década - obras de adaptação a casa multifamiliar, com a construção de uma cozinha no segundo piso; Proprietário / GTL de Tavira: 2001 - obras de conservação e pintura de exteriores, com fachada principal e corpo S. da fachada O. a serem pintados de cinzento claro, mantendo-se o azul e branco no corpo N. da fachada O..

Observações

*1 - Volker Gold admite que os elementos decorativos Arte Nova foram integrados no edifício pela esposa do Capitão, D. Albina ( GOLD, 1999 ).

Autor e Data

Paulo Fernandes 2001

Actualização

 
 
 
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